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Apadrinhamento afetivo transforma a vida de adolescente em Jaboatão dos Guararapes

Israel Wllian (de camisa vermelha), no plano de trás, ao lado dos padrinhos 

A adolescência é geralmente uma fase emblemática, de descobertas e incertezas para a maioria das pessoas. É o momento em que os jovens enfrentam enormes desafios e precisam de grande apoio e orientação. Para Israel Willian, hoje com 21 anos de idade, o momento representou também o encontro com os seus padrinhos afetivos Ítala e Eduardo Silva. A aproximação do casal e de seus quatro filhos trouxe para Willian, afastado da família e vivendo em uma instituição de acolhimento em Jaboatão dos Guararapes, sentimentos como afeto, cuidado e disciplina, além de diretrizes e exemplos, aspectos que buscamos em nossa família de origem. Graças a toda essa estrutura proporcionada pelos padrinhos, Willian conseguiu ingressar no ensino superior e atualmente cursa o 7º período de Engenharia de Controle e Automação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

No período em que morava na instituição de acolhimento, o esforço e o interesse de Willian pelos estudos não passaram despercebidos. Por intermédio de profissionais que atuavam na Rede de Proteção à Infância e Juventude, foi disponibilizada uma bolsa de estudos no cursinho pré-vestibular que na época pertencia aos professores Ítala e Eduardo. O rapaz, que frequentava o 3º ano do ensino médio e estava se preparando para prestar o exame, logo estreitou os laços de amizade com o filho mais velho do casal e fez diversos amigos em comum. “Os pedidos para que Willian participasse das reuniões da igreja e aniversários tornaram-se cada vez mais frequentes. Quando vimos já existia um vínculo afetivo formado”, lembra Ítala Silva.

A partir de então, o casal buscou informações sobre o programa de apadrinhamento Anjo da Guarda, da Vara da Infância e Juventude de Jaboatão dos Guararapes. Com a efetivação do apadrinhamento afetivo de Willian, a professora Ítala conta como estabeleceu o diálogo para conseguir os ajustes necessários entre Willian e a família. “O apadrinhamento nos trouxe uma relação de afeto e de irmandade entre ele e os meus filhos, mas também foi preciso impor regras e saber lidar com os conflitos de personalidade e a bagunça típicos da idade. Expliquei que a família não poderia mudar para se adequar aos seus costumes, deveria ser o contrário. Com isso foi possível trabalhar a questão da hierarquia e ir mostrando os limites”, explica Ítala.

Willian reconhece e se diz grato aos padrinhos pelo carinho, incentivo e até mesmo pelos “puxões de orelha”. “Minha madrinha exerce na minha vida um verdadeiro papel de mãe. Ela me dá bronca, fala quando estou errado. Mas o que eu mais gosto nela é a forma transparente de ser, de dizer o que está pensando. Isso demonstra um cuidado real, demonstra que se importa de verdade”. Já o padrinho Eduardo Silva, que é professor de Matemática, Willian define como um homem reservado, porém muito divertido. “A gente brinca o tempo inteiro. O meu relacionamento com ele é leve e prazeroso, de muita afinidade. O meu padrinho é uma inspiração para mim, é um bom amigo que ajuda todo mundo”, afirma o jovem. Ele revela ainda a vontade de cursar Matemática futuramente, devido à inspiração profissional que enxerga no padrinho Eduardo Silva. Junto com os quatro filhos do casal, Hanny (22), Eduardo (20), Giovana (14) e Grabriela (9), Willian diz ter descoberto o verdadeiro sentido e o papel da família.

Toda essa experiência serviu para Willian descobrir valores, dar e receber afeto, se sentir amado. Hoje, maior de idade e já fora da instituição de acolhimento, ele divide apartamento com outros estudantes do interior do estado. A moradia é paga por meio de uma bolsa que o jovem vai receber até o final do curso. Em meio aos estudos e à vida compartilhada junto à família do coração, Willian revela seu maior sonho: “Eu quero me formar, ter uma boa estrutura financeira para, no futuro, poder construir minha própria família. Quero ter meus filhos e poder criá-los da forma como eu gostaria de ter sido criado”.

 Conheça e participe do programa de apadrinhamento Anjo da Guarda 

O programa Anjo da Guarda Jaboatão é um dos programas de apadrinhamento do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que buscam promover a convivência comunitária de crianças e adolescentes acolhidos, possibilitando seu desenvolvimento físico, mental e social, por meio do apadrinhamento que pode ser exercido nas modalidades afetivo, profissional e provedor. 

A juíza Christiana Caribé, titular da Vara da Infância da comarca, destaca que, em cinco anos de existência, o programa vem contribuindo para ressignificar a vida de centenas de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional. “O apadrinhamento possibilita uma maior integração das crianças e adolescentes em situação de acolhimento na sociedade, oportunizando melhor desenvolvimento psicossocial e cognitivo. Os padrinhos podem ajudar contribuindo com aulas de reforço escolar, de línguas estrangeiras, ou com tratamentos médicos e acompanhamento psicológico. Podem custear esportes, proporcionar lazer, etc. Ainda, colaborar de diversas outras formas para o aumento da autoestima e confiança dos acolhidos. É um programa através do qual a sociedade civil pode ajudar a transformar vidas. Os padrinhos e madrinhas ensinam aos seus afilhados como pescar, ao invés de dar o peixe, contribuindo para promover a autonomia de vida daqueles que não puderam ser reintegrados à família ou não tiveram a chance de serem adotados”, explica a magistrada.

Pandemia - Com a implantação do trabalho remoto em virtude da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em execução desde março de 2020, o programa Anjo da Guarda adotou medidas para não interromper os apadrinhamentos. Até o momento, seis padrinhos que já haviam concluído o processo de inscrição, atendendo a todos os requisitos necessários, iniciaram o contato com seus afilhados por meio de encontros virtuais. À medida em que os laços vão se estreitando e os critérios de isolamento social vão sendo flexibilizados, são permitidos encontros presenciais de forma breve, em locais abertos, seguindo todas as normas de segurança determinadas pelas autoridades de saúde. 

Para novas inscrições no programa, o atendimento aos pretendentes e o envio da documentação são feitos via e-mail institucional. As entrevistas com os pretendentes são realizadas por meio de videoconferência pelos profissionais da Vara da Infância. 

Visite a página Anjo da Guarda Jaboatão no Facebook para conhecer mais detalhes sobre o programa.

Contatos:

apadrinhamento.anjodaguarda@tjpe.jus.br
carla.patricia@tjpe.jus.br

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Texto: Amanda Machado |  Ascom TJPE
Foto: Cortesia