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Artigo: Inteligência Artificial e imaginário mais próximo

A Inteligência Artificial (AI) tem possibilitado a criação de algoritmos capazes de gerir dados de universos informáticos e que escrevem programas em sistema de desenvolvimento que se autoprogramam. É a técnica onde as máquinas aprendem e interpretam, a exemplo do "deep learning" ("aprendizagem profunda").
 
A recente cobertura das Olimpíadas Rio-2016, pelo "The Washington Post" (EUA), veio demonstrar, com eficiência, o uso dessa técnica, quando foram utilizados os mais avançados softwares processadores. Mais precisamente, robôs escreveram as notícias. 
 
O sistema, denominado "Heliograf", foi empregado para o "minute-by-minute" do seu portal informativo e para sua conta no Twitter, divulgando as notícias em tempo real, com dados objetivos e informações estatísticas. Este sistema será novamente utilizado nas eleições americanas, de novembro próximo. Induvidoso que as novas formas de inteligência artificial aproximam o homem do imaginário e o tornam mais próximo. 
 
Filmes como o clássico "Blade Runner, o Caçador de Androides" (Ridley Scott, 1982) na futurista Los Angeles, de 2019, decaída em colapso civilizatório e com replicantes humanos destinados a trabalhos servis ou perigosos; e "A.I. - Artificial Intelligence" (Steven Spielberg, 2001), tratando sobre a criação de máquinas com sentimentos, são fábulas de uma ficção cientifica romântica que cedem, defasadas, diante do atual conjunto de ferramentas de inteligência artificial.
 
De fato, as três leis da robótica, então preconizadas por Isaac Asimov e delineadas no filme "Eu, Robô" (Alex Proyas, 2014), buscam empreender, agora, um diálogo coexistencial entre humanos e maquinas. O robô-jornalista do "The Washington Post" já pode escrever notícias de complexidades estruturadas ou um robô-psicólogo será "capaz de identificar pessoas que podem sofrer de depressão por meios de suas postagens no Instagram". 
 
Bem a propósito, o "machine learning", desenvolvido por pesquisadores da Harvard University (Cambridge, Massachusetts) e da University of Vermont (Burlington), avaliou os "feeds" de cento e sessenta e seis pessoas, mediante a aferição de 43.950 fotos disponíveis na rede social, identificando (com setenta por cento de acerto), aquelas que indicavam sinais de depressão. As expressões faciais aferidas conduziram ao diagnóstico, antes de as análises médicas terem sido feitas com idêntica conclusão. (www.tecmundo.com.br/instagram).
 
O impacto da tecnologia na área de inteligência artificial, capaz de processar informações com maior rapidez e ordená-las de forma complexa e integrada, provoca inquietudes novas à exata medida de apresentá-la potencialmente substitutiva à inteligência humana. 
 
É certo que os seres humanos não foram programados em laboratório e não dominam e processam todas as informações a um só tempo, em tempo uno e instante, sob o implemento de demandas de sistemas superinteligentes e superconectados. Todavia, a mente humana é mais complexa e será sempre mais perfeita que eventuais cérebros de tecnologia pensante porque dotada de consciência.
 
Assim, o Instituto do Futuro da Vida ("Future of Life Institute"), baseado em Boston, reunindo os mais consagrados cientistas, pesquisadores e especialistas em A.I., como Stephen Hawking e Elon Muske, veio pronunciar, em documento aberto (http://futureoflife.org/ai-open-letter/), um alerta dos avanços das novas tecnologias que possam comprometer a existência humana. Robôs humanoides de inteligência artificial superinteligente devem ser controlados bem como o desenvolvimento de armas autônomas, capazes de fixar e atacar alvos, sem intervenção humana.
 
Pois bem. Estamos na era da tecnologia mais avançada em processamento de inteligências artificiais e novos exemplos assentam um significante momento novo. Vejamos:
 
(i) Programas que simulam o futuro, como o "Sentienti", tornam-se apoiadores para os investidores financeiros;
 
(ii) Programas de computadores, como o AlphaGo, criado pela DeepMind, (subsidiária do Google), são capazes de disputas vencedoras com humanos. Esse programa enfrentou (9-15/03/16), o jogador profissional Lee Sedol, o segundo melhor do mundo, em competição de cinco jogos de go (um bimilenar jogo de estratégia chinês), vencendo por 4-1. O conhecido jogo de xadrez, onde "Deep Blue", um programa da IBM, venceu Garry Kasparov (1997), ficou no passado, quando o jogo chinês, de complexidade bem superior, oferece um maior número de movimentos possíveis;
 
(iii) Aplicativos mais sofisticados e acessíveis por celulares e smartphones colocam o interesse por inteligência artificial em ordem de alcançar as pessoas mais comuns; e
 
(iv) Sistemas de informatização do processo judicial pretendem buscar identificar os casos de ocorrência de prevenção, litispendência e coisa julgada, a modo de dispensar ato decisório a respeito, como determina o parágrafo único do art. 14 da Lei nº 11.419/06.
 
De efeito, a revolução das máquinas continua. O robô "Hal" do filme "2001 – Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968) coloca-se, agora, como um mero e inexorável ancestral.
 
Permanece incontroverso, porém, que a inteligência artificial não poderá dotar as máquinas de sentimentos, consciência e moralidade. Certo, então, que o homem continuará insubstituível. 
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Desembargador Jones Figueirêdo Alves – decano do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e mestre em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (FDUL)