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Memorial de Justiça encerra primeira etapa do Projeto Do Concreto ao Sensorial

Pessoas cegas tocam as maquetes da arquitetura do Memorial da JustiçaA pedagoga e museóloga Gabriela Severien recebeu os visitantes e falou sobre a proposta de inclusão do projeto 

O Memorial de Justiça recebeu mais uma visita programada do projeto Do Concreto ao Sensorial, a última prevista na proposta encaminhada e aprovada para financiamento pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) na tarde da última terça-feira (7/2). O grupo que veio conhecer as maquetes táteis do Memorial era constituído por pessoas cegas ligadas à Associação Pernambucana de Cegos (Apec) e à Associação Beneficente dos Cegos do Recife (Assobecer), além de seus acompanhantes. Confira mais fotos da visita AQUI.

Antes do grupo chegar, quem esteve no Memorial para conhecer as maquetes e o centro de memória do Judiciário foi o artista multimídia Paulo Bruscky, acompanhado da esposa e da filha. Bruscky batizou o projeto ainda no período de sua gestação, quando Germana Pereira, diretora da Tangram Cultural, parceira do Memorial no empreendimento, contou-lhe a respeito e ele sugeriu o nome Do Concreto ao Sensorial.

A visitação das pessoas cegas e de seus acompanhantes foi mediada por Gabriela Severien que responde pelo Educativo do Memorial, e contou com a participação dos responsáveis pela confecção das maquetes, a empresa Eduardo Sobral Arquitetura em Maquetes. Seus profissionais deram explicações sobre o meticuloso trabalho que realizaram. Mais uma vez Judite Fonseca, servidora da Vara de Execução Penal da Capital, participou da preparação da visita.

Segundo Mônica Pádua, gestora do Memorial de Justiça, a aquisição das maquetes táteis foi planejada para tornar a visitação ao Memorial mais acessível ao público de pessoas cegas e com baixa visão - ação inserida em um programa maior de inclusão da instituição cultural. Para ela, o objetivo foi atingido. “Recebemos visitantes cegos que avaliaram positivamente o material e deram sugestões que foram transformadas em melhorias no atendimento. As maquetes se encaixaram perfeitamente no circuito de mediação da exposição de longa duração do museu, fomentando questionamentos, e o conhecimento sobre educação patrimonial.” 

Germana Pereira, da Tangram Cultural, destacou o pioneirismo do projeto e sua satisfação profissional e pessoal em participar dele. “Foi nosso primeiro projeto na área de acessibilidade, uma área em que eu estava sempre pensando, mas que os orçamentos nunca conseguiam abranger. É um projeto extremamente importante e pioneiro em Pernambuco, pois é o primeiro voltado para a construção de maquetes táteis do edifício que abriga o espaço cultural.” Para Germana, foi dado um “pontapé inicial”, e a tendência é a ampliação desse trabalho. 

Gabriela Severien informa que a partir de agora o Educativo do Memorial vai trabalhar no sentido de aprimorar o atendimento para outras pessoas com deficiência, como as que se incluem no espectro autista, o que demanda um trabalho de pesquisa mais elaborado. “O momento é de aprendizado. A primeira etapa foi vencida. As maquetes estão aí, disponíveis ao público”, conclui Mônica Pádua.

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Texto: Anna Santoro | Memorial de Justiça
Fotos: Bárbara Hostin