Notícias

Voltar

Mês da Adoção - Micaely: uma menina que sempre esteve pronta

Família posando para foto

Nesta segunda reportagem sobre grupo de irmãos adotados, a história de uma garota surpreendente

Na primeira visita a Micaely*, ainda na casa de acolhimento, o comerciante Jucenildo Leite* conta que quis saber sobre a rotina da menina de sete anos, junto com os irmãos Lucas* (5), Larissa* (6), Sara* (9) e Fernanda* (15). “Depois do almoço, todos vão dormir, mas eu não consigo. Fico imaginando como vai ser meu novo pai e minha nova mãe”, dizia a menina ao futuro pai, que conta isso visivelmente emocionado e diz que não consegue esquecer aquelas palavras.

A personalidade decidida da garota surpreendeu até mesmo as psicólogas da instituição, quando foi dela a iniciativa de ser adotada separadamente do grupo de irmãos que havia sido destituído da família de origem e estava há quatro anos em situação de acolhimento. Relembre a história em Grupo de irmãos do Sertão pernambucano são adotados por três famílias.


A Assessoria de Comunicação Social (Ascom), por meio da TV TJPE, veicula especial de reportagens de televisão sobre adoção tardia e de grupo de irmãos. Confira aqui no site e nas redes sociais do Judiciário estadual.
 

Seu Jucenildo* e a esposa Janeide*, residentes em Serra Talhada*, no sertão do estado, já tinham um filho biológico, Davi*, também de 7 anos. Após o nascimento do menino e não conseguindo mais engravidar, o casal começou a amadurecer a ideia de adotar uma menina de idade próxima a do filho, para que ele tivesse uma companhia e os dois pudessem crescer juntos. 

O tempo de espera entre o ingresso do casal no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e a ida de Micaely* para a nova família durou pouco mais de um ano. Janeide* conta que o seu maior desejo era que, na data do seu aniversário, recebesse ao menos uma ligação da Vara de Infância informando sobre uma perspectiva positiva da chegada da nova integrante da família. Ela não fazia ideia que, nessa data, a filha já estaria em sua casa, comemorando junto com a mãe.

Após um ano e meio da chegada da filha, Jucenildo* lembra, com os olhos cheios de lágrimas, do dia em que levou a menina para conhecer sua casa. “Passeamos o dia todo. Quando chegamos aqui, em frente a nossa casa, e disse que ali era o lugar onde ela iria morar, Micaely* caiu no choro e eu precisei levá-la para dentro nos braços, porque ela não conseguia mais andar de tanta emoção.”

A integração da garota na família é evidente. De acordo com os pais, quando pensaram em adotar uma criança, já começaram a conversar com Davi* sobre a possível chegada de uma irmã. “Mesmo não sendo da barriga da mãe, vai ser sua irmã do mesmo jeito”, explicava Janeide*. Na terceira visita à casa de acolhimento, Davi* foi junto com os pais. Para a surpresa de todos, o ciúme partia mais de Micaely* do que do filho biológico, que viu a rotina de filho único ser invadida por uma menina elétrica e comunicativa, sem se importar em dividir. “Se a gente desse dois beijos em Davi*, nela tinha que ser dois também” conta a mãe. O pai completa orgulhoso: “Ela conquistou a família muito rápido. É carismática, quer beijar e abraçar todo mundo”.

O período de adaptação na rotina da casa foi tranquilo, mas a menina* ainda está em fase de muitas descobertas.  Tarefas simples como amarrar o cadarço é motivo de orgulho e a menina faz questão de correr para pegar os tênis e nos mostrar a novidade. “Ela é inteligente, pega as coisas muito rápido. Em um ano já aprendeu a ler”, se derrete Jucenildo*. Micaely* acompanha atenta a entrevista e grava todos os momentos no celular do pai. “Ela não pode ver um telefone. É a fotógrafa da família.” 

Interação – Como para a maioria das crianças de sua idade, o telefone celular é mesmo um “brinquedo” inseparável. E é através dele que levamos uma mensagem das irmãs Sara e Fernanda para Micaely. “Se comporte, viu?”, termina Fernanda*, a irmã mais velha, no vídeo gravado a mais de 400 quilômetros de distância. Quando perguntamos sobre o comportamento de Micaely*, ela desconversa: “Eu era danada, mas minha mãe disse que eu estou melhorando”. O vínculo com os irmãos biológicos vem sendo mantido, principalmente, pela troca de mensagens, fotos e vídeos. 

Parece mesmo que o desejo da menina, que sonhava todas as tardes acordada enquanto os irmãos dormiam, se tornou realidade. Quando ela disse às psicólogas “Quero ser adotada sozinha. Se tiver outro irmão na casa nova, tudo bem. Se não, vai ser só eu mesma”, já sentia que seria acolhida em um lar cheio de amor e novas possibilidades. “Quando a gente parou o carro na frente do abrigo para buscá-la, ela já estava pronta, com a bolsa nas costas, nos esperando”, revelou o pai. Sim, Micaely* sempre esteve pronta!

Campanha – Dentro da campanha "Adoção é mais que uma escolha. É um encontro", durante esta semana, a Ascom veicula uma série de reportagens especiais sobre adoção tardia e de grupo de irmãos no site e na TV TJPE. Também há conteúdo exclusivo no Facebook, no Twitter e no Instagram. Confira em nossos perfis nas redes sociais. Na página da Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Estado de Pernambuco (Ceja/TJPE) há mais informações sobre adoções.

*Nomes fictícios, escolhidos ou autorizados pelos pais

Matérias relacionadas

Projetos do TJPE promovem aumento do número de adoções tardias 

TJPE promove eventos no Dia Nacional de Adoção 

Projeto constrói famílias: a história de Ana Beatriz

Grupos de irmãos do Sertão pernambucano são adotados por três famílias
.............................................................................................
Texto e foto: Amanda Machado | Ascom TJPE
Revisão: Francisco Shimada | Ascom TJPE