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Programa Mãe Legal retoma os encontros presenciais com os parceiros no Hospital da Mulher do Recife

O primeiro encontro aconteceu na quarta-feira (27/4), no Hospital da Mulher do Recife (HMR)

A equipe do Núcleo de Curadoria Especial e Proteção à Família (NUCE), da 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital, retomou as oficinas presenciais do Programa Mãe Legal para a capacitação de profissionais de saúde. O primeiro encontro aconteceu na quarta-feira (27/4), no Hospital da Mulher do Recife (HMR), com a participação de enfermeiras, médicas, psicólogas, assistentes sociais, entre outras agentes da maternidade. Implantado há 12 anos, o Programa Mãe Legal vem garantindo que as mulheres que desejam entregar os filhos para adoção possam exercer o seu direito de forma segura e responsável. Ao longo desse período, já foram atendidas cerca de 370 mulheres, com mais de 100 crianças encaminhadas à adoção.

Confira as fotos do evento.

A psicóloga e coordenadora do Programa Mãe Legal, Ana Cláudia Souza, conta que a pandemia fez com que as equipes das maternidades acabassem recebendo quase toda a demanda de atendimentos, já que eles não puderam suspender os serviços. “A equipe do Mãe Legal de forma virtual, tentou dar o apoio necessário, mas eles foram cruciais nesse momento. Agora chegou a hora de a gente revisitar esses profissionais, de levar procedimentos novos que foram construídos, inclusive devido à pandemia, e estreitar cada vez mais nossos laços, pois os desafios que se apresentam dentro da entrega de uma criança para adoção são imensos”, afirmou.

A oficina teve início com a apresentação de uma música “Triste, Louca ou Má”, da banda Francisco, el hombre, que fala sobre a autonomia da mulher e a desconstrução do papel feminino diante de valores pautados por uma cultura patriarcal. Para a psicóloga Jakeline Silva é importante romper o conceito de que toda mulher nasce para ser mãe. “É fundamental a provocação que foi trazida para nós esta tarde, porque estamos no Hospital da Mulher e, inevitavelmente, a gente escuta muitos discursos sobre o que é ser mulher, o mito materno, e que ser mãe está intrínseco a ser mulher. E isso é uma construção social”, refletiu.

“O desejo ou a ausência do desejo precisa ser respeitado porque isso fala sobre a história de cada sujeito. É importante essa reflexão para que a gente consiga atuar melhor nesses casos que fogem um pouco da curva do que comumente se espera de uma mulher. Se a gente percebe o nosso contexto, o machismo também acontece entre as mulheres, ele é um discurso, então muitas mulheres que se ausentam dessa reflexão ou que não conseguem acessá-la também reproduzem o discurso machista”, refletiu Jakeline Silva.

A manifestação do desejo de não exercer a maternagem* pode acontecer durante a gravidez ou em até 45 dias após o parto. Na maioria dos casos, a porta de entrada dessas mulheres no Programa Mãe Legal acontece através das maternidades, por ocasião do nascimento, e Unidades de Saúde, ainda no pré-natal. Nos dois últimos anos, 71% das mulheres foram encaminhadas ao Programa pelas maternidades, que representaram uma importante parceria para o Judiciário desde o início da pandemia, já que a Justiça teve de suspender os atendimentos presenciais, passando a realizar todo o trabalho de acompanhamento de forma remota. 

Alana Cassimiro, assistente social do Hospital da Mulher, conta que identificou a necessidade de solicitar a capacitação do Programa Mãe Legal para seus profissionais diante das demandas que chegam ao hospital. “Nós, profissionais de saúde, somos vinculadas a entregar sempre o bebezinho para mãe, então culturalmente a gente tem essa visão. Então desconstruir esses paradigmas e entender a mãe que não quer ficar com o bebê às vezes é quebrar os nossos próprios valores e os nossos preconceitos. Devemos garantir que a mulher que deseja realizar a entrega tenha seu direito respeitado sem julgamento de valores e sem preconceitos. Brilhantemente a equipe do NUCE conseguiu proporcionar isso nesta tarde”, declarou.

Entre as participantes da oficina, a médica residente em ginecologia, Marília de Mendonça, acredita que as profissionais em formação devem ter um olhar de acolhimento com as mulheres que chegam na maternidade. “É fundamental que consigamos entender o porquê isso acontece e não julgar essas pacientes, ter mais sensibilidade na fala e no acolhimento no primeiro contato com elas. Depois também para saber conduzir o caso da forma adequada, sabendo a quem se reportar nessas situações e como orientar a equipe também”, alegou a médica.

Programa Mãe Legal - É executado pelo Núcleo de Curadoria Especial e Proteção à Família- NUCE, da 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital em parceria com as Secretarias de Saúde, da Mulher e do Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do município do Recife, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE), as Maternidades públicas e privadas do município, ONG’s, Instituições de Acolhimento e Conselhos Tutelares.

O NUCE é composto pelas psicólogas Ana Cláudia Souza e Fabiana Romão, além das assistentes sociais Aeldja Cavalcanti e Ana Claúdia Nunis.

A próxima oficina de capacitação vai acontecer na quarta-feira (04/5) com profissionais da maternidade Bandeira Filho, do Recife. As oficinas têm o objetivo de contemplar, inclusive, os novos profissionais que venham ingressar nos serviços de saúde do município do Recife.

*maternagem - condição estabelecida no vínculo afetivo do cuidado e acolhimento ao filho por uma mãe.

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Texto: Amanda Machado | Ascom TJPE
Foto: Armando Artoni | K9 Produções