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Vara da Mulher de Jaboatão (PE) recebe ativista Quentin Walcott em grupo de reflexão para homens agressores

 
Quentin Walcott, diretor da Organização Connect, conversou com homens que participam do projeto Oficina de Homens, da Vara de Violência Doméstica e Familiar de Jaboatão, que tem à frente a juíza Andrea Cartaxo
 
 
A reunião do Projeto Oficina de Homens, da Vara de Violência Doméstica e Familiar de Jaboatão dos Guararapes, contou com a presença do ativista norte-americano Quentin Walcott, na manhã desta sexta-feira (9/10). Walcott é diretor da Organização Connect, com sede em Nova Iorque, que tem como objetivo redefinir a identidade masculina de modo a construir uma sociedade com igualdade de gêneros.  
 
A Oficina de Homens da Vara da Mulher de Jaboatão teve início em 2013, desenvolvendo atividades direcionadas ao tratamento do homem agressor por meio de grupos de reflexão. Os encontros acontecem mensalmente. De acordo com informações da unidade judiciária, até então o projeto já contemplou em torno de 80 homens agressores com processos em tramitação na Vara. Destes, apenas dois reincidiram na violência doméstica.
 
A reunião desta sexta (9) foi iniciada pela juíza Andrea Cartaxo, titular da Vara da Mulher de Jaboatão desde a data de sua instalação, 19 de dezembro de 2012. A magistrada falou da satisfação de receber a visita de Quentin Walcott e do trabalho do ativista no enfrentamento da violência contras as mulheres. 
 
Em seguida, a psicóloga Rosaly Menezes conduziu a reunião, que consistiu numa dinâmica de grupo voltada para a identidade masculina, com os participantes indicando pontos que, em suas opiniões, constroem a identidade do gênero homem.
 
O ativista Quentin Walcott participou da reunião falando de suas atividades à frente da Connect e das dinâmicas das reuniões da organização, que duram 26 semanas, com reuniões semanais que duram duas horas, e que buscam manter os homens engajados e com melhores posições em seus relacionamentos. "Temos que pensar com mais profundidade na luta da igualdade de gêneros e nos papéis que assumimos na sociedade", afirmou Walcott.
 
A juíza Andrea Cartaxo falou dos bons resultados que a Oficina de Homens tem trazido para a Vara da Mulher e para a sociedade. Informou, também, que no último relatório da Câmara Técnica de Enfrentamento à Violência de Gênero de Pernambuco, no mês de setembro o município de Jaboatão não registrou nenhum homicídio de mulheres em situação de violência doméstica.  
 
"Esse trabalho é muito gratificante. Comecei e desenvolvi minha carreira como juíza criminal. Mas agora tenho percebido mais a função social da Justiça, o efeito social da prestação jurisdicional", disse a magistrada.
 
Atualmente, a Vara de Violência Doméstica e Familiar de Jaboatão dos Guararapes possui um acervo de 8.300 processos. A Oficina de Homens é organizada pela psicóloga Rosaly Menezes e pela assistente social Élida Nascimento. O projeto também conta com a participação voluntária da antropóloga e pesquisadora Veronique Durand e com a atuação de três estagiários das áreas de psicologia e serviço social.
 
Um dos participantes da oficina, acusado de agredir sua ex-mulher, conta que as reuniões de reflexão têm despertado nele o desejo de mudar seu comportamento. "No início eu vinha para essas reuniões com muita raiva. Mas hoje em dia vejo a importância dos encontros. Tenho consciência de que quero e preciso ser um homem digno. Essas reuniões nos dão desenvoltura para essa mudança", disse o homem, de 45 anos. 
 
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Texto: Micarla Xavier | Ascom TJPE
 
Foto: Assis Lima | Ascom TJPE