Software livre já se tornou política de Estado, diz presidente do ITI
Responsáveis pelo Governo Eletrônico Brasileiro dizem que os projetos de adoção dos softwares livres por órgãos públicos não estão enfrentando problemas de orçamento nem tampouco de inexperiência dos técnicos. "Depois de três anos de um trabalho de aculturamento, e também de vários programas de computador desenvolvidos com código aberto, acredito que software livre no Brasil é política de Estado", afirma Renato Martini, presidente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI) e coordenador do Comitê de Implementação do Software Livre, um dos oito que atuam na esfera do Governo Eletrônico.
Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, conta que, em setembro, foi realizada uma oficina técnica de migração, com 220 profissionais de 60 instituições de governo. "Apresentamos um questionário para esses servidores e, pelo resultado, podemos provar que, em nenhum momento, apareceu a questão orçamentária como ponto de dificuldade".
Santanna também é secretário-executivo do Governo Eletrônico, instância interministerial coordenada pela Casa Civil. Ele conta que mais de 75% dos servidores participantes do evento responderam que sua instituição está realizando algum tipo de migração para software livre, 10% disseram que haverá migração até o final deste ano ou no ano que vem, e os cerca de 15% restantes responderam que não há previsão.
Mais de 70% dos profissionais, segundo ele, disseram que não há nada que impeça o início do processo de migração e, dentre as dificuldades mais apontadas, em ordem decrescente, estão: problemas políticos, capacitação da equipe, falta de aceitação do usuário, capacitação do usuário, falta de confiabilidade no programa que usa o código aberto e aplicações herdadas que não permitem um processo de migração rápido e simples.
Santanna conta que a empresa de tecnologia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Dataprev, comprou recentemente máquinas individuais, com software livre operando, por menos de R$ 1 mil cada. "Estou certo de que um bom servidor com o mesmo programa não sai por mais de R$ 15 mil. Então, se dá para gastar menos, vamos gastar menos", conclui.
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