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Brasil participará do Galileo

O Brasil vai participar do programa Galileo, sistema europeu de posicionamento por satélites, semelhante ao GPS americano.

Um grupo de trabalho interministerial, coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), acaba de ser criado para definir uma proposta formal de participação no projeto, seja por meio de cooperação científica e tecnológica ou como parceiro investidor, a exemplo da China, Índia e Israel.

"Não temos a intenção de sermos um participante pleno do Galileo, pois isso implicaria em um dispêndio grande de recursos, mas também não gostaríamos que a nossa participação se resumisse apenas à utilização dos dados do sistema", explicou o coordenador da assessoria técnico-científica da AEB, Raimundo Mussi.

A primeira reunião do grupo de trabalho, prevista para o final de janeiro, irá definir isso e também uma proposta de acordo entre o Brasil e a União Européia em relação ao Galileo. O grupo é formado por representantes dos Ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, e Relações Exteriores, além do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Aeronáutica (Deped) e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB).

Os dirigentes do Galileo, segundo Mussi, informaram que 80% dos investimentos que o Brasil fizer no projeto, caso haja essa decisão, serão revertidos em pedidos para a indústria aeroespacial brasileira. O sistema será composto de 30 satélites e mais 30 estações de solo, distribuídas globalmente para dar suporte à operação dos satélites em órbita. "A indústria nacional poderá participar deste programa fornecendo componentes para os satélites e equipamentos de apoio em solo", afirmou Mussi.

Segundo a assessora da Delegação da Comissão Européia no Brasil, Maria Cristina Araújo, o Galileo é o primeiro sistema global de radionavegação de satélites concebido para fins civis e aberto à cooperação internacional. "A China foi o primeiro país a assinar acordo com a União Européia no âmbito do programa e irá investir US$ 200 milhões", disse. Além da China, também assinaram acordo Índia, Israel, Ucrânia e Marrocos.

A União Européia assinou acordo com os Estados Unidos em 2004, confirmando a plena interoperabilidade e compatibilidade entre o Galileo e o GPS. Segundo a UE, esse acordo representou um forte impulso para o mercado de sistemas de navegação global por satélite (GNSS). A estimativa é que o sistema tenha 3 bilhões de receptores e faturamento de € 275 bilhões ao ano a partir de 2020. O mercado de produtos e de serviços derivados da tecnologia crescem 25% por ano.

O primeiro satélite do sistema Galileo tem lançamento previsto para 26 de dezembro. As aplicações de interesse do Brasil na área de GNSS incluem segurança de vôos, geodésia (mapeamento do território), rastreamento de veículos, cargas e gado, entre outras. Além do Brasil, países como o México, Chile, Argentina, Noruega, Coréia do Sul, Malásia, Canadá e Austrália também estão discutindo a participação no Galileo.

O Galileo é uma iniciativa da Comissão Européia e vem sendo desenvolvido em conjunto com a Agência Espacial Européia (ESA). Dois consórcios de empresas foram selecionados para a operação do sistema: o "Eurely", formado pela Alcatel, Finmecanica, Hispasat e Aena e o "Inavsat", formado pela EADS , Thales e Inmarsat. A fabricação dos satélites será feita pela Galileo Industries, na qual a EADS/Astrium é a líder com 38% do consórcio. O programa tem custo total estimado em € 3,2 bilhões e sua exploração comercial está prevista para 2008.

 
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