Rascunho
da nova licença de software
livre já está pronto
A Fundação do Software
Livre (Free Software Foundation ou
FSF) já tem o rascunho do que
deverá ser a terceira versão
da Licença Pública Geral
(GPLv3, na sigla em inglês),
documento que rege o uso dos programas
de computador feitos em software livre,
como o sistema operacional Linux. É a
primeira revisão da Licença
em 15 anos. A GPL foi criada em 1989
por Richard Stallman, fundador e presidente
da FSF, e a revisão foi feita
em 1991. A próxima etapa das
discussões será realizada
no Brasil.
Pelas regras da GPL, o código
de programação (código-fonte)
de um software livre está disponível
para qualquer usuário, que poderá modificá-lo
e distribuí-lo sob a forma de
novas cópias, desde que permita
o mesmo para os outros usuários.
A Licença também mantém
os direitos de autor dos programas
e impede que outras pessoas se apropriem
do código-fonte, ou impeçam
sua distribuição de maneira
livre.
O novo rascunho da Licença foi
elaborado durante a Primeira Conferência
Internacional da GPL. As questões
mais discutidas foram as patentes de
software e os DRMs (Digital Rights
Management, ou Gestão de Direitos
Digitais), que são restrições
tecnológicas à distribuição
de conteúdo digital. Também
se deu importância às
implicações de uma licença
que se pretende global, especialmente
em relação às
diversas traduções do
documento, já que existem diferenças
entre as legislações
internas de cada país.
Durante a conferência, foram
criados seis comitês de discussão,
que já estão em atividade
e irão trabalhar ao longo do
ano sobre os detalhes da nova Licença,
cuja versão final é esperada
para 2007. As discussões sobre
a GPLv3 envolverão outros países,
e a próxima etapa será no
Brasil, em local ainda a ser definido.
O advogado paranaense Omar Kaminski,
especialista em Propriedade Intelectual
e Direito da Informática, esteve
presente ao evento representando o
Brasil, a convite de Eben Moglen, diretor-geral
do Centro Legal para a Liberdade do
Software (Sofware Freedom Legal Center)
e conselheiro da FSF. O País
também foi representado pelo
Centro de Tecnologia e Sociedade da
Escola de Direito da Fundação
Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
O Brasil está ganhando importância
cada vez maior no cenário internacional
da comunidade de software livre, e
já possui leis estaduais e projetos
de leis federais que privilegiam esse
tipo de programa de computador na administração
pública. Sobre esse aspecto,
Richard Stallman, comentou: "Este
ano o Brasil terá eleições
presidenciais, e uma das coisas em
risco será o que o País
irá fazer no futuro para o software
livre e para proteger os brasileiros
das terríveis leis dos Estados
Unidos, como o Ato de Direitos Autorais
do Milênio Digital (Digital Millenium
Copyright Act, ou DMCA), e as patentes
de software. Lula se insurgiu contra
isso, e é preciso ter certeza
de que o novo presidente faça
o mesmo e que continue a se posicionar
contra isso para tornar o Brasil livre
dessas restrições ultrajantes."
O rascunho da GPLv3 pode ser visto,
em inglês, no endereço
http://gplv3.fsf.org/draft. O escritório
Kaminski, Cerdeira e Pesserl Advogados
Associados, do qual Omar Kaminski é um
dos sócios, elaborou uma tradução
do documento para o português,
que pode ser vista na página
www.kcp.com.br/projetos/gpl3/gplv3-1.txt.
A tradução é literal
e não é destinada ao
licenciamento de softwares, mas serve
para mostrar os principais pontos da
nova Licença e estimular a discussão
nacional sobre os aspectos jurídicos
do software livre.
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