| O
que é spam?
É difícil encontrar
quem se utilize do correio eletrônico
hoje em dia que já não
tenha ouvido falar em spam, ou pior
ainda, não seja uma de suas
vítimas diárias.
Se você é um
dos felizardos que nunca foi apresentado
ao spam, saiba que este é o
termo pelo qual é comumente
conhecido o envio, a uma grande quantidade
de pessoas de uma vez, de mensagens
eletrônicas, geralmente com cunho
publicitário, mas não
exclusivamente.
O spam também é conhecido
pela sigla inglesa UCE (Unsolicited
Commercial Email, ou Mensagem Comercial
Não-Solicitada).
Em plena era de Internet comercial,
o spam é uma das principais
perturbações para internautas,
administradores de redes e provedores,
de tal forma que o abuso desta prática
já se tornou um problema de
segurança de sistemas. Além
disso, é também um problema
financeiro, pois vem trazendo perdas
econômicas para uma boa parte
dos internautas e lucro para um pequeno
e obscuro grupo.
Mas originalmente, SPAM foi o nome
dado a uma marca de presunto picante
(SPiced hAM, em inglês, de onde
surgiu a sigla) enlatado da Hormel
Foods, uma empresa norte-americana
que vende o produto desde 1937. E como
o nome de uma comida enlatada se tornou
sinônimo de uma das piores pragas
da Internet? A resposta é, curiosamente,
o grupo de comediantes britânicos
Monty Python.
O primeiro spam via e-mail documentado
foi enviado em 3 de maio de 1978, há 25
anos. Já o uso do termo spam na Usenet completou 10 anos em março
de 2003.
A primeira mensagem não-solicitada
enviada por e-mail de que se tem notícia
foi um anúncio da DEC, fabricante
de computadores, que falava sobre a
nova máquina DEC-20, em 1978.
A mensagem, que foi enviada na ARPAnet
(Advanced Research Projects Agency
Network, rede de pesquisa avançada
do Departamento de Defesa dos EUA,
que deu origem à Internet),
dava detalhes sobre o novo produto
e convidava as pessoas para apresentações
na Califórnia. O spam gerou
polêmica na rede por violar as
regras de uso da ARPAnet e um dos comentários
mais curiosos da época é o
do guru do GNU/Linux, Richard Stallman.
No comentário, Stallman diz
que não acha o spam um problema,
posição totalmente contrária à que
tem hoje.
Brad Templeton, pesquisador da história
do spam, encontrou alguns relatos do
uso do termo spam em antigos sistemas
de bate-papo, como Bitnet's Relay,
que deu origem ao IRC (Internet Relay
Chat). A pesquisa dele mostrou que
algumas pessoas mandavam para outros
usuários a letra da música
Spam do Monty Python repetidamente
para irritá-los. Também
nos BBS (Bulletim Board System), precursores
dos atuais provedores, o termo era
usado, por volta do fim da década
de 1980.
No entanto, a palavra spam só começou
a ser realmente difundida a partir
de abril de 1994, quando Laurence Canter
e Martha Siegel, dois advogados da
cidade norte-americana de Phoenix,
que trabalhavam em casos de imigração,
enviaram uma mensagem anunciando serviços
que teoricamente ajudavam as pessoas
a ganhar vistos de permanência
(Green Card) nos EUA. Por causa disso,
a mensagem é hoje conhecida
como "Green Card Spam" e,
já na época, imediatamente
gerou as mesmas reações
que o spam atual, com questionamentos
sobre ética e legalidade da
prática. Não era uma
mensagem nova, mas no dia 12 de abril
eles usaram uma tática inovadora:
contrataram um programador para criar
um script simples e enviar o anúncio
da dupla para todos os milhares de
grupos de notícias da Usenet.
O esquema deu certo e todos receberam
o primeiro spam em larga escala da
história, o que contribuiu para
difundir o termo.
A partir daí, várias
outras mensagens receberam o rótulo
de spam, na maioria anúncios
pessoais ou de empresas. Logo depois,
as pessoas começaram a usar
os programas de envio em massa de e-mails
- que já existiam há décadas
para o gerenciamento de listas de discussão
- para enviar lixo eletrônico
para grandes massas de usuários
da rede.
Atualmente, a Hormel Foods ainda detém
a marca registrada SPAM, além
de um site com o domínio Spam.com,
no qual se encontram informações
legais e de copyright sobre a marca,
links para suvenires e lembranças
com o nome SPAM, fotos ampliadas de
latas de SPAM e até um museu
do SPAM, que obviamente não
tem nada a ver com o site anti-spam de mesmo nome que havia no Brasil até o
início deste ano.
Na verdade, a Hormel mantém
certas reservas em relação à identificação
de sua marca com uma prática
comercial que vem despertando a ira
de consumidores da Internet mundial.
Em seu site, a empresa faz questão
de frisar que se opõe ao envio
de mensagem comercial não-solicitada
e nunca se engajou nessa prática.
Mas afirma que não vê problema
no uso da gíria "spam" para
designar tais mensagens, contanto que
a imagem do produto que vende não
seja associada com o termo e que, relacionada
a mensagens eletrônicas, a palavra
seja escrita com letras minúsculas.
A palavra SPAM, com letras maiúsculas,
deve ser usada apenas para indicar
o produto alimentício, de acordo
com o desejo da Hormel.
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