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Software Livre: A onda "Windowsless"

"Até outubro de 2005, a produção de computadores com Linux representava 3%. Em dezembro, pulou para 20%", afirma João Marcelo Alves, diretor de marketing da Positivo Informática, maior fabricante de computadores do país.

A popularização do uso de sistemas que não sejam Microsoft, líder mundial na produção de software proprietário, foi impulsionada pelo lançamento, em novembro de 2005, do programa federal Computador para Todos (chamado inicialmente de PC Conectado), que estimulou o financiamento da compra de computadores para usuários de baixa renda. Uma das determinações do projeto é que todas as máquinas comercializadas têm instalados o sistema operacional Linux.

Apesar de terem ganhado notoriedade com o projeto federal, os sistemas de código aberto já eram apostas de fabricantes antes do Computador para Todos. A Amazon PC lançou seu primeiro desktop com Linux em setembro de 2004. "Quisemos baratear o custo para o consumidor final. Os impostos pagos para ter o Windows são muito altos", diz Carlos Diniz, diretor presidente da fabricante. Atualmente, 80% da produção da Amazon é composta por máquinas com Linux. "Sistemas como estes são bem aceitos em países cujo poder aquisitivo da população é menor", diz.

Com 18% da produção total focada nas máquinas com Linux para o varejo, a já citada Positivo Informática começou a investir no segmento no começo do ano passado. "O preço é muito bom, por isso, pouco importa ao consumidor o sistema operacional adquirido", afirma João Marcelo Alves. "O leigo compra o computador com preço que cabe no bolso. Às vezes nem sabe qual sistema ou aplicativo levou", concorda Carlos Diniz, da Amazon PC.

Na contramão dos consumidores com poucos conhecimentos em informática, a Dell decidiu investir em máquinas sem sistema operacional, ou seja, nem Windows, nem Linux, apenas com FreeDos, para atrair o comprador "educado para tecnologia", como define Sidnei Shibata, gerente sênior de marketing da empresa. A linha nSeries, que permite ao consumidor adquirir apenas o hardware, instalando, posteriormente, em sua máquina sistema e softwares de sua preferência, foi lançada no início de 2005. "Existe uma parcela de clientes que também quer ter opção de sistema operacional assim como tem para outros equipamentos como tipo de hardware", explica Shimata.

A Dell não descarta a possibilidade de, no futuro, comercializar máquinas com sistema aberto. Mas, por hora, não existe o interesse de se alinhar a alguma empresa que ofereça o sistema. "Os de código aberto ainda possuem muitas atualizações e é preciso montar uma estrutura grande de suporte técnico ao cliente", explica o gerente.

Mais qualidade

Antes da abertura do mercado, os sistemas de código aberto, aos olhos de técnicos e fabricantes, ainda careciam de aprimoramento tecnológico e maior estabilidade. Hoje, essa realidade dá sinais de mudanças. "Difícil dizer se o Windows é melhor que o Linux, ou vice-e-versa. Cada um tem as suas virtudes", explica Flávio Philbert, gerente-executivo administrativo de análise comercial da Itautec, fabricante que tem como público forte o do corporativo privado.

De todas as máquinas fabricadas pela Semp Toshiba, 30% têm Linux. "É uma resposta às requisições do mercado", afirma Ernesto Watanabe, diretor de vendas da empresa, que comercializa o sistema aberto desde 2004. O volume atende uma demanda maior do varejo, impulsionada pelo programa federal. Já o mercado corporativo privado, na análise do diretor, é mais resistente. Mesmo assim, na hora de oferecer o sistema para cliente, não há diferenciação na apresentação: "As soluções Windows e Linux são colocadas à disposição da mesma forma".

Para Jaques Rosenzvaig, presidente da Mandriva Conectiva no Brasil, desenvolvedora e distribuidora do Linux, houve uma maturidade do sistema, em termos de tecnologia, e também do mercado para aceitar uma nova proposta de sistema operacional. "Os grandes fabricantes de computadores perceberam que podem oferecer Linux sem susto e que funciona", afirma. O relacionamento com os grandes fabricantes teve início antes do Computador para Todos, há cerca de quatro anos, estima Rosenzvaig. "As empresas foram os drivers, aqueles que determinaram como os softwares de código aberto poderiam trabalhar de forma mais integrada", explica o diretor da Mandriva, empresa que já desenvolveu projetos para HP, Leader Tech e Positivo Informática.

O desafio agora fica com as empresas desenvolvedoras em plataforma de sistemas de código aberto, incumbidas de promoverem a evolução dos aplicativos para a plataforma livre, como a própria Mandriva Conectiva, e outras como Red Hat e Kurumin Linux: "Aumentou a concorrência entre as desenvolvedoras de pacotes de soluções para esse tipo de sistema operacional", afirma Rosenzvaig.

 
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