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TJPE inicia rodas de diálogo em referência ao Agosto Lilás na comunidade do Bongi

Mulher fala ao microfone, sentada em meio à plateia contendo diversas pessoas. Um homem está de pé, olhando para ela.

A dona de casa Laís Melo participa da conversa trazendo relatos acerca do tema 

 
Foi realizada, na quinta-feira (25/8), a primeira roda de diálogo em alusão à campanha Agosto Lilás, que é o mês de conscientização pelo fim da violência doméstica. Mães, pais e responsáveis por crianças e adolescentes assistidas pela Organização não Governamental (ONG) Projeto Levante, participaram do encontro promovido pela Casa de Justiça e Cidadania do Bongi. As Rodas de Diálogo do Agosto Lilás são uma iniciativa do Núcleo de Conciliação (Nupemec) em parceria com a Coordenadoria da Mulher, ambos do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). 
 
Confira as fotos do encontro.
 
Durante a conversa, conduzida pelo juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Francisco Tojal, foram abordados temas como os tipos de violência contra a mulher, o ciclo em que ela ocorre, além do machismo e do patriarcado que estruturam a sociedade. O magistrado também destacou que a vítima nunca é culpada pela violência sofrida, pensamento muitas vezes comum entre a população. 
 
Sobre as dificuldades que as mulheres enfrentam para denunciar o agressor, a dona de casa Laís Melo alegou que a mulher não deve ser culpabilizada por não conseguir se livrar de uma situação de violência. “Muitas mulheres estão presas psicologicamente e emocionalmente ao companheiro e não têm nem para onde ir. É muito errado chegar e dizer: ‘você está com ele porque você quer’”, ressaltou. “Não é normal apanhar do marido. As meninas também crescem seguindo o exemplo da mãe, que vêem acontecer dentro de casa”, completou outra participante.
 
Laís Melo também defendeu a importância da educação das meninas para que saibam reconhecer um ato de violência e que os meninos cresçam sendo educados para respeitar as mulheres. “Minha filha de 9 anos chegou em casa dizendo que o coleguinha da escola batia nela. Quando fui falar com o pai do menino, ele disse que o filho dele estava dando carinho, aquilo era uma forma de dar carinho. Descobri que esse pai já tem um histórico de agressões. Então o filho dele está vendo e fazendo a mesma coisa”, relatou a mãe, que está grávida de outra menina.
 
Para o juiz Francisco Tojal, o trabalho realizado junto às comunidades é fundamental para que haja uma mudança de comportamento. “Aqui estamos falando e lutando pela igualdade de gênero, porque sabemos o quanto há uma dominação, fruto do machismo e do patriarcado, dos homens em relação às mulheres, em todas as escalas e esferas de poder. Então, a gente precisa levar esse debate para a comunidade, falar para a comunidade o quanto é importante respeitar o livre arbítrio, o quanto é importante dizer que o amor não é violento. Amor é respeito, aceitação, companheirismo, escuta e conversa. A violência é muito naturalizada na nossa sociedade e a gente precisa desnaturalizar isso”, defende.
 
O público masculino também esteve presente ao encontro. Ao final da conversa, o atendente Lourinaldo Santos, que tem um sobrinho atendido pela ONG, disse que a responsabilidade pelo fim da violência deve ser tanto do homem quanto da mulher. “Eu acredito que depende da educação e da informação das mulheres para denunciar.  Em relação aos homens, o que eles podem fazer é ter uma comunhão com a esposa e também dar um bom exemplo e educação para a família. Desde o início para a criança, para ela aprender que não se deve machucar as mulheres”, afirmou. 
 
Os participantes puderam assistir a vídeos sobre violência doméstica e também receberam folhetos educativos. Os próximos encontros serão realizados nas sedes das Organizações não Governamentais (ONGs) Casa Menina Mulher (30/8) e Espaço da Criança (2/9), desta vez promovidos pela Casa de Justiça e Cidadania do Coque. 
 
Projeto Levante - A ONG atua desde 1992 com atividades esportivas, escolares e de recreação nas cidades de Recife, Olinda e Escada. Atualmente são atendidas cerca de 310 crianças e adolescentes, de seis a 16 anos, que vivem em situação de vulnerabilidade social.
 
A assistente social Anyse Caroline explica que a violência dentro de casa afeta as crianças de diversas maneiras. “Dentro das atividades que a gente promove aqui, a dinâmica social é um fator levado bastante em consideração. A violência é um fator que tem uma interferência direta no comportamento das crianças e, infelizmente, é uma marca muito presente aqui na comunidade. Então nós identificamos essa dinâmica da violência dentro de casa contra a mulher e com certeza isso compromete o desenvolvimento da criança. Por isso a gente acha tão importante tratar desse tema aqui”, explica a profissional.
 
Para o gestor do Projeto Levante, Jonathas Lacerda, é importante o cuidado com a criança dentro e fora da instituição. “A gente percebe, por exemplo, que algumas crianças têm problemas em casa, são muito retraídas, e a gente fica preocupado. Acredito que essa palestra vai alertar sobre a violência, vai trazer conhecimento especialmente para as mulheres sobre seus direitos. E isso vai dar mais segurança para aqueles que possam estar passando por isso dentro de casa tenham acesso direto às informações”.
 
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Texto: Amanda Machado | Ascom TJPE
Fotos: Davi Isidoro | K9 Produções