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Família Vilaça constrói rede de amor e solidariedade pela adoção

Família reunida em frente à parque no condomínio

Ana Luiza Vilaça comemora com os filhos o primeiro Dia das Mães juntos

“Eu sei que Deus está esperando a hora certa de meus irmãos e eu sairmos daqui. Agora essa espera de quatro anos é muita coisa, mas Deus está preparando nossa saída e eu sei que vai ser maravilhoso. Dias de alegria, com ele no coração. Sempre vai ser assim.” Quando escreveu essa mensagem em um álbum de fotografias, Renata, de 14 anos, não imaginava que a sua adoção e dos seus irmãos, Larissa (9) e Ronaldo (11), representaria um recomeço também para a mãe Ana Luiza Vilaça. A servidora pública divorciada, que é mãe biológica de Rafael (34) e avó de Eduardo (3), alimentava o sonho de ser mãe novamente, principalmente de menina. Só não estava em seus planos retomar a maternidade como mãe de três filhos, de uma única vez. Confira mais fotos AQUI.

Tudo começou em 2016, quando o casal Dolores e Renan Vilaça, sobrinho de Ana Luiza Vilaça, deu início ao apadrinhamento afetivo de Larissa. O que representava para os dois uma grande vontade de ajudar, acabou se transformando em uma rede de solidariedade que posteriormente incluiria toda a família. “Dolores e eu sempre conversamos muito sobre o interesse em adotar e, quando achamos o Pernambuco que Acolhe, entendemos que seria uma oportunidade enorme de contribuir para a melhoria na vida de alguma criança, da forma que podíamos naquele momento”, explica Renan. “Fizemos algumas entrevistas e fomos apresentados a Larissa, de quem seríamos padrinhos. Ela tinha 7 anos e estava toda vestida de rosa. Sempre foi a cor favorita dela”, conta.

Desde então, a menina passou a frequentar a casa dos Vilaça nos finais de semana e datas festivas no Recife (PE). “O primeiro contato com Larissa foi apaixonante e, ao mesmo tempo, de frio na barriga pela responsabilidade que estaríamos assumindo: apresentar a uma criança, retirada de seu núcleo familiar por rejeição e problemas domésticos, uma família que desse amor e carinho para ela. Larissa é encantadora e rapidamente conquistou todo mundo”, lembra Renan.

No período em que o casal permaneceu como padrinhos, Larissa pôde conhecer vários membros da família, inclusive Ana Luiza, que vinha de Brasília (DF) visitar os parentes. “Todos ficamos encantados com Larissa. Linda e esperta, fiquei apaixonada quando a conheci e quis saber da história dela, porque estava na casa de acolhimento. Então, fiquei sabendo que ela tinha dois irmãos e que eles tinham outros padrinhos”, afirma Ana Luiza.

Família reunida no cinema

As meninas participam de passeios com a família Vilaça no período do apadrinhamento

Em maio de 2017, o casal recebeu uma proposta de trabalho e precisou se mudar do Recife para São Paulo (SP). Renan conta como foi preocupante a possibilidade de deixar de apadrinhar a menina. “Certamente pensamos muito em Larissa e simplesmente cancelar o programa e fazê-la iniciar do zero novamente seria algo que machucaria muito ela, e isso não estava em nossos planos em nenhum momento. Optamos então por fazer a transição de padrinhos, e minha mãe se dispôs a continuar o programa com ela”. 

Com a mudança de Renan e Dolores, outras duas personagens entraram em cena para que Larissa não perdesse a oportunidade do convívio familiar. Em junho de 2017, Relson e Liana Vilaça, que são pais de Renan, resolveram assumir o apadrinhamento afetivo não só de Larissa, mas também da irmã mais velha dela, a adolescente Renata, que tinha ficado sem padrinhos. “Passamos a nos encontrar a cada 15 dias e também em algumas datas especiais como Natal e aniversário das meninas. Meu esposo e eu pudemos ter uma ótima experiência de vida convivendo com crianças que passaram por tanto sofrimento, mas, apesar de tantas adversidades que já haviam enfrentado, elas eram muito alegres e amáveis e isso, verdadeiramente, foi algo encantador”, revela a madrinha Liana.

A partir daí, ao buscar as meninas na casa de acolhimento para os passeios, muitas vezes Relson e Liana encontravam o irmão delas, Ronaldo, que na época tinha um padrinho à parte. Após o padrinho de Ronaldo passar por dificuldades e precisar deixar o Programa Pernambuco que Acolhe, a família Vilaça mais uma vez botou em prática o espírito solidário e começou a incluir o menino nas visitas e passeios. Liana lembra como a presença de Ronaldo na família tornou as visitas ainda mais animadas. “O convidamos para passar alguns finais de semana conosco e eles ficaram muito felizes aqui em casa. A piscina do nosso prédio era o local predileto para brincarem e se divertirem juntos.”

No decorrer do convívio das irmãs com a família, Ana Luiza começou a se interessar em adotá-las e, em uma das vezes que acompanhou Liana à instituição de acolhimento para buscar as meninas, contou de seu interesse em formalizar a situação. Nesse dia, ela foi orientada a procurar a Vara da Infância em Brasília (DF), onde mora, para confirmar seu desejo de adotar e realizar todas as etapas necessárias para o ingresso no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). “Na ocasião, fui informada que ainda estava correndo o processo de destituição familiar das crianças. A avó já tinha declarado não ter condições de ficar com eles e nem tampouco outras pessoas da família tinham”, explica Ana Luiza. De volta a Brasília, ela cumpriu todas as etapas necessárias ao ingresso no CNA, realizadas no período de maio a dezembro de 2018.

Para dar continuidade ao processo, foi necessário um ajuste no perfil de Ana Luiza no CNA, já que a intenção de adotar três crianças só foi concretizada após a demonstração de interesse por parte de Ronaldo em não se separar das irmãs. Como não havia para eles nenhum pretendente de Pernambuco na fila de adoção, foi possível vincular o perfil da pretendente ao do grupo de irmãos.

Ao saber da notícia, a futura mãe já iniciou os preparativos para receber os filhos. “Foi o meu presente de Natal. Já comecei a organizar a logística da moradia para recebê-los, me mudando para um apartamento maior, no mesmo prédio que já morava. Estava muito ansiosa e apreensiva, pensando que alguém poderia passar na minha frente e adotar as crianças”, lembra.

No mês de fevereiro de 2019, Ana Luiza se apresentou à Vara Regional da Infância e Juventude de Garanhuns (PE) para dar prosseguimento ao trâmite processual. Foi quando obteve a autorização para retirar as crianças da casa de acolhimento, localizada no Recife, e iniciar o estágio de convivência. A etapa está sendo realizada em Brasília, até que o processo de adoção seja sentenciado.

Foto: Ana Luiza com as crianças, o filho biológico, Rafael e o neto, Eduardo

Já com as crianças em casa, e mais o sobrinho Ítalo (13), que veio se juntar à turma para dar um apoio no processo de adaptação, Ana Luiza divulgou uma carta aos amigos e familiares para agradecer o apoio e o carinho que teve para seguir adiante na decisão de adotar. “Dizem que sou louca por eu ser assim... Mas louco é quem me diz que não é feliz, eu sou feliz! Já me disseram que estou sempre surpreendendo, verdade! E também estou sempre recomeçando! Essa semana realizei um grande sonho: ser mãe novamente de outro menino e de meninas. Três irmãos lindos, amorosos e inteligentes, que viviam numa instituição, esperando uma família, esperando uma mãe, esperando por mim... Agora são meus filhos, vieram se juntar a meu filho Rafael; meu neto Eduardo; Gedson, meu filho do coração e toda a família, meu sobrinho Ítalo e nossa gatinha Luna. Estou muito feliz! Sejam bem vindos meus filhos Renata, Ronaldo e Larissa, à família e à minha vida! Mamãe ama vocês!”.

Processo – Naturais do município de Angelim, no Agreste, os irmãos tiveram o processo de destituição do poder familiar concluído em junho de 2018, após esgotadas as tentativas de mantê-los na família de origem. O processo de adoção passou então a tramitar na Vara Regional da Infância e Juventude de Garanhuns, que é responsável pelo gerenciamento, no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), das crianças aptas a serem adotadas em 20 comarcas do estado. Desde 2013, a Unidade Judiciária realizou 45 adoções por meio do CNA, além das que já foram julgadas e estão com alguma pendência para inserção no Cadastro ou os casos específicos previstos por lei.

O juiz Maurício Gusmão, titular da Unidade, conta que os programas desenvolvidos pela Coordenaria da Infância e Juverntude (CIJ) e pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) são fundamentais para o êxito obtido nos processos de adoção na 10ª Circunscrição. “Tais iniciativas tornam visíveis essas crianças e adolescentes que estavam no cadastro, sem perspectiva de adoção. É uma oportunidade que elas têm de serem desinstitucionalizadas. Ao mesmo tempo, possibilita que os pretendentes não fiquem limitados a uma busca meramente formal, mas uma procura realizada de forma ativa, pretendentes nacionais e internacionais”, explica o magistrado, mencionando o Projeto Família, que realiza a busca ativa de pretendentes para adoção nacional ou internacional das crianças e adolescentes.

“Os desafios são grandes, mas estamos conseguindo avançar no número de adoções, principalmente para essas crianças e adolescentes que ainda enfrentam tantas barreiras por causa da idade. Estamos conseguindo devolver a elas a esperança de encontrar um lar, uma família onde tenham afeto e onde lhes sejam dispensados o devido carinho e amor, necessários ao seu desenvolvimento”, destaca o juiz.

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Texto: Amanda Machado | Ascom TJPE
Fotos: cortesia da família Vilaça