Entrevista

Voltar

Servidor defende tese sobre Inteligência Artificial no reconhecimento de padrões e diagnóstico de doenças

André Caetano em experiência no Malawi, em 2018, atendendo ao convite da Universidade de Zurich 

No dia 31 de maio, o servidor do TJPE, André Caetano Alves Firmo, concluiu doutorado em Biotecnologia pelo programa Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), do Ministério da Ciência e Tecnologia, com ponto focal na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). André Caetano atua no TJPE há dez anos como técnico judiciário em Hardware/Software, lotado no Núcleo de Gestão de Projetos e Mudanças da Setic. O servidor também faz parte das seguintes comissões: Comissão de EAD do TJPE, de Depoimento Acolhedor do Cica e de videoconferência do Tribunal. 

Nesta edição da Revista Conecta, o servidor, que é graduado em Licenciatura Plena da Computação e mestre em Engenharia da Computação, fala um pouco sobre o processo de produção da sua tese de doutorado, bem como as experiências vivenciadas durante o processo de pesquisa.

 

Conecta - André, conte-nos um pouco sobre o processo de produção da sua tese de doutorado? 

André - A pesquisa foi iniciada em 2008, ainda no mestrado, onde foi validada a proposta de usar Inteligência Artificial para encontrar objetos em imagens adquiridas do microscópio. A tese utilizou os estudos preliminares e propõe o desenvolvimento de uma solução integrada de Hardware e Software na realização do exame parasitológico. Intitulada PICKCELLS – "Desenvolvimento de uma solução automatizada para a realização de diagnósticos parasitológicos", a minha tese teve como orientadores o professor doutor em Genética, Valdir Balbino, e o professor doutor em Fotônica, Ricardo Ataíde.

 

Conecta - Qual foi a metodologia de pesquisa utilizada na tese? 

André - Inicialmente foi realizada uma revisão bibliográfica para avaliar o estudo da arte da proposta e checar às iniciativas e avanços nas técnicas de Inteligência Artificial e suas aplicações na área de diagnósticos de análises clínicas. Após essa etapa, foram determinados os escopos da tese, que consistem da criação de um dispositivo para adquirir as imagens das lâminas e um software para analisar as imagens e apresentar os resultados. Foi montada uma série de experimentos para comprovar a hipótese e mensurar o desempenho da solução.

André Caetano ao lado de membros da banca avaliadora

 

Conecta - No processo do seu doutorado, houve a criação da Startup Pickcells e, também, de duas patentes de produtos, bem como a participação em vários programas de aceleração e Scale-up nacionais e internacionais. Fale um pouco sobre cada ponto citado.

André - Com o avanço da pesquisa, ficou claro o poder comercial da solução e, em conjunto com mais três sócios, foi criada a startup Pickcells. Participando de programas de apoio aos startups, fomos aprovados na aceleradora JUMP do Porto Digital e investidos pelo Grupo Sabin de Laboratórios (4º maior grupo de laboratórios do país). Participamos de programas como Endeavor, ICE-BID e BNDES e fomos contemplados com o investimento da Finep. Também fomos selecionados para uma imersão para internacionalização e estivemos na Holanda participando de uma sessão de mentoria.

 

Conecta - O seu trabalho foi selecionado como finalista do Brazil Accelerate 2030, iniciativa do Impact Hub e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para impulsionar negócios de impacto socioambiental. Qual o sentimento em fazer parte desta seleção?

André - Foi muito gratificante saber que fomos selecionados e que juntos com a startup "Mete a Colher", estamos representando Pernambuco na final nacional. As três iniciativas escolhidas irão participar de uma mentoria em Genebra, na Suíça. Esse tipo de experiência mostra o potencial da solução no auxílio do combate de doenças negligenciadas, como, por exemplo, a esquistossomose, que hoje afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, onde os principais infectados são as crianças e a população em situação de extrema pobreza.

O servidor ao lado do seu coorientador, Valdir Balbino

 

Conecta - Como foi a participação no Programa BNDES Garagem 2019? 

André - O Programa BNDES Garagem quer ajudar as startups a crescer e ganhar escala, oferecendo acesso a uma ampla rede de mentores, potenciais investidores e parceiros. Além disso, o programa fomenta a geração de negócios entre as aceleradas e as empresas parceiras do BNDES, trazendo inovação para todas as partes interessadas no processo. O programa tem duração de seis meses e fomos selecionados na fase de aceleração com o tema de Saúde e Bem-estar.


Conecta - Em novembro de 2018, fizemos matéria na Revista Conecta narrando sua experiência no Malawi. A referida vivência também foi resultado do seu doutorado? Como foram os dias de trabalho naquele país?

André - A atividade no Malawi tem uma relação direta da visibilidade da startup Pickcells no cenário internacional e com a solução desenvolvida no doutorado. Fomos convidados pela Universidade de Zurich para adaptar a solução de Inteligência Artificial na detecção de padrões, para analisar imagens de rostos de crianças e predizer o nível de estresse delas em conjunto com outros parâmetros para avaliar as condições de saúde. Em 2018, quatro startups brasileiras foram realizar uma prova de conceito nas comunidades do Malawi. Apenas a Pickcells foi eleita como fornecedor para a Unicef e vamos retornar em setembro para realizar a última homologação da solução e ajudar a melhorar as condições de saúde daquele povo.

 

Conecta - Você tem intenção de transformar a sua tese em livro?

André - O trabalho do mestrado foi publicado em livro com o título Inteligência computacional no diagnóstico da esquistossomose mansônica e encontra-se disponível em livrarias online, como a Amazon.com. Também tenho a intenção de publicar a tese do meu doutorado como livro assim como fiz com a dissertação do mestrado.

...............................................................................................................................
Entrevista: Micarla Xavier | Ascom TJPE
Fotos: Divulgação