Entrevista

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Setembro Amarelo - Você não está só!

Setembro chegou e, com ele, a campanha de conscientização Setembro Amarelo – ação que busca salvar vidas e prevenir o suicídio. O tema é delicado, mas precisamos falar sobre isso: aproximadamente 60% das pessoas que morrem por suicídio não buscam ajuda e 90% dos casos poderiam ser evitados com tratamento adequado, segundo informações do site Setembro Amarelo.

Com o objetivo de abordar o assunto, a revista Conecta apresenta, nesta edição, uma entrevista com os psiquiatras da Diretoria de Saúde do Tribunal, Marta Victor e Daniel Marques. A unidade é vinculada à Secretaria de Gestão de Pessoas e oferece suporte nas áreas de Psicologia e Psiquiatria.

Conecta: Qual a importância do Setembro Amarelo?

Resposta: O dia 10 de setembro foi oficialmente instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi instituída pela alta prevalência de suicídios no mundo, um verdadeiro problema de saúde pública. Estima-se que uma pessoa cometa suicídio a cada 40 segundos no mundo, o que representaria aproximadamente um milhão de casos por ano. Dessa forma, foi criada no ano de 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), junto com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a campanha de prevenção ao suicídio, denominada Setembro Amarelo. O objetivo é conscientizar a população sobre os fatores de risco, para o comportamento suicida e orientar sobre o tratamento adequado dos transtornos mentais, que representam 96,8% dos casos de morte por suicídio. O intuito principal da campanha é a prevenção através da informação.

Conecta: Quais são os fatores de risco e os sinais de alerta de quem pensa em suicídio?

Resposta: Nenhuma ameaça ou risco de suicídio deve ser menosprezado ou negligenciado. É um mito a afirmação de que pessoas que ameaçam suicidar-se não concretizam o ato. Na verdade, grande parte dos suicídios têm fortes indícios e avisos por parte da pessoa que o tentará. Os principais fatores de risco são doenças mentais não tratadas, especialmente a depressão, que atinge 5% da população. Idosos, pessoas solitárias, portadoras de doenças crônicas, adolescentes e usuários de drogas também são populações de risco. Os principais sinais de alerta são pensamento de suicídio, tentativas prévias, mudanças de comportamento para um isolamento social, pesquisas sobre métodos na internet, publicações de conteúdo pessimista ou melancólico em redes sociais.

Conecta: De que forma a assistência psiquiátrica pode ajudar?

Resposta: Acredita-se que cerca de 90% dos casos poderiam ser evitados com tratamento adequado, que muitas vezes não é feito devido à desinformação ou preconceito. A maioria dos casos ocorre dentro do contexto de doenças mentais que têm tratamento. Sendo assim, o tratamento psiquiátrico é salvador e deve ser instituído o mais breve possível.

Conecta: Como podemos ajudar pessoas próximas que apresentam comportamentos suicidas?

Resposta: É importante mostrar empatia para com aquela pessoa, não duvidar da veracidade do seu sofrimento psíquico e mostrar-se solícito para ajudar. Deve-se tentar mostrar para essas pessoas que existe saída através do tratamento e ajudar para que elas cheguem ao acompanhamento psiquiátrico.

Conecta: Se o suicídio é uma questão de saúde pública, por que as pessoas evitam falar sobre o assunto?

Resposta: É importante falar sobre o problema, mas sempre demonstrar que existe solução acessível através do tratamento. O que deve ser evitada é a simples divulgação de casos sem apresentar a contrapartida de que é uma doença e que tem tratamento. Quando a imprensa apenas divulga casos sem a devida crítica, ocorre o aumento dos casos, pois pessoas que estão pensando em suicídio tomam coragem para o ato sem considerar os tratamentos disponíveis.

Conecta: Os casos de suicídios entre os jovens aumentaram consideravelmente nos últimos anos. No Brasil, o suicídio é a quarta causa mais comum de morte de jovens. Como os pais podem ajudar seus filhos adolescentes?

Resposta: É importante que os pais e responsáveis estejam sempre atentos ao comportamento das crianças e adolescentes; que conversem e procurem cultivar relações salutares e harmoniosas com os seus filhos. O diálogo é a melhor ferramenta de prevenção nessas faixas etárias. Também é importante estar atentos ao que os adolescentes veem nas redes sociais e na TV, bem como estimular a sociabilidade, a prática de atividades físicas e a espiritualidade nas famílias que a tenham. Na ocorrência de sinais de alerta ou mudanças abruptas de comportamento, devem sempre procurar auxílio profissional.

Conecta: Como os colaboradores do TJPE podem buscar atendimento psiquiátrico na instituição?

Resposta: O Centro de Saúde do TJPE conta com psiquiatras e psicólogos que podem oferecer tratamento para os transtornos psiquiátricos.

Centro de Saúde do TJPE – Funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, na Rua Santa Edwirges, 390, bairro do Prado, no Recife. A marcação de consultas é realizada através dos telefones (81) 3181.9167 / 3181.9168 / 3181.9169, no horário das 7h às 16h.



Clique AQUI para a acessar o folheto do Centro de Valorização da Vida (CVV) com mais informações sobre suicídio.

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Entrevista: Priscilla Marques | Ascom TJPE
Ilustração: Getty Images