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História e preservação - Porque é preciso falar sobre os nossos museus!

Mônica Pádua ao lado de maquete do Memorial

“Tenho muita satisfação em fazer parte de uma equipe comprometida com a preservação e a difusão da memória da Justiça." Assim se expressa a chefe do Memorial da Justiça de Pernambuco, Mônica Pádua, sobre a importância da preservação da história do Judiciário no Estado e sobre a relevância do referido espaço como mais um local que serve de formação educacional para o povo pernambucano, não apenas por guardar patrimônios museológicos e de memórias, mas também por fortalecer a cidadania e apresentar noções de pertencimento e identidade histórica.

Nesta semana, o Memorial da Justiça de Pernambuco está inserido em uma iniciativa cultural que acontece em todo o Brasil, a 12ª Primavera dos Museus.  A ação, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), será realizada a partir desta segunda-feira (17/9), até o domingo (23/9), com o tema "Celebrando a educação em museus". O Memorial adere à campanha Primavera dos Museus há alguns anos. De acordo com Mônica Pádua, o museu do Judiciário pernambucano, mesmo quando não está formalmente inscrito na programação, costuma realizar atividades relacionadas ao evento, durante a semana agendada pelo Ibram. 

Na quinta-feira (20/9), o Memorial da Justiça do TJPE prepara-se para receber a visita de representantes de memoriais do Ministério Público do Brasil. A visita acontece das 14h às 18h e faz parte do IX Encontro Nacional de Memoriais do Ministério Público, evento que, por sua vez, está incluído no rol de programações da 12ª Primavera dos Museus. Na ocasião, Mônica Pádua e sua equipe falarão sobre a conservação e reparos de documentos; a catalogação e digitalização de documentos históricos do Judiciário estadual; e sobre a vivência em um museu que preza pela acessibilidade. Saiba mais sobre o Encontro

“Em abril deste ano, concluímos um projeto que concretizou a disponibilização do acervo histórico dos primeiros 500 processos de Pernambuco na internet, por meio de descrições padronizadas e digitalização dos documentos. Para isso, usamos dois softwares indicados pelo Conselho internacional de Arquivos, o AtoM e o Archivematica”, conta Mônica Pádua.

Mônica Pádua é graduada em Direito e em História, é mestre em Ciência da Informação e, atualmente, cursa doutorado na área de História. No Tribunal, ela também atua como secretária da Comissão de Acessibilidade e Inclusão. Na sexta-feira (21/9), a partir das 9h, ela vai ministrar a palestra A experiência de acessibilidade do Memorial do TJPE, em evento do Tribunal Regional do Trabalho a 6ª Região (TRT-PE), ainda em virtude da Primavera dos Museus. A palestra da historiadora fará parte de um ciclo que também vai abranger debates, apresentações e lançamentos de livros na sede do Memorial da Justiça do Trabalho, na Avenida Engenheiro Domingos Ferreira, 3510, bairro de Boa Viagem, Recife (PE). Confira a programação completa.

“Na minha palestra, pretendo descrever os projetos que já implementamos no Memorial e aqueles que estamos elaborando para o futuro, a fim de compartilhar com o público a experiência do Memorial e ouvir das pessoas sugestões que possam nos levar a ações cada vez mais inclusivas”, afirma Mônica.

Acessibilidade e inclusão

Mônica Pádua conta que, há aproximadamente quatro anos, a equipe do Memorial da Justiça vem se capacitando para atender às pessoas com deficiência que procuram o museu, bem como o arquivo e a biblioteca. “Não somente porque é uma exigência legal a inclusão da pessoa com deficiência em espaços públicos, mas também porque o centro de memória do Judiciário tem recebido visitantes com diversas necessidades específicas e a sua equipe entende que essas pessoas devem ter a mesma qualidade no atendimento”, ressalta.

Para que isso seja possível, além da capacitação, a equipe desenvolve projetos para adequar o equipamento cultural e a apresentação dos seus conteúdos, de modo a permitir que as pessoas com deficiência sejam incluídas. Como exemplo, citamos o projeto "Do Concreto ao Sensorial", financiado pelo Funcultura e elaborado pela Tangram Cultural, que construiu um mapa e duas maquetes táteis do prédio do Memorial, bem como viabilizou a impressão de material de divulgação em Braille, com o objetivo de incluir pessoas cegas, com baixa visão, bem como aquelas com Transtorno do Espectro do Autismo, no ambiente do museu do TJPE.

Ao ser questionada sobre novos projetos para o Memorial da Justiça, Mônica cita mais uma ação voltada para a acessibilidade e inclusão. “Estamos esperando o resultado da seleção de um novo projeto no Funcultura, também produzido em parceria com a Tangram Cultural. Trata-se de um projeto cultural de inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Austista e com outras deficiências intelectuais. Sei que ainda há muito o que fazer. Mas estamos concentrados para que a cada dia mais barreiras sejam superadas, a fim de que o nosso espaço cultural seja acessível a todos”, compartilha.

Luto

Neste ano, o evento Primavera dos Museus apresenta uma tarja de luto em seu material de campanha publicitária (ver cartaz abaixo). No dia 2 de setembro, todo o Brasil acompanhou com pesar a tragédia que afetou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e que transformou em pó um dos maiores acervos históricos da América Latina. Assim, a 12ª Primavera dos Museus volta-se, também, para a reflexão sobre a necessidade de o Brasil valorizar e preservar a sua própria história. 

“Ao saber da notícia do Museu Nacional, eu me senti desolada e preocupada. O que se perdeu não há como ser recuperado. Isso é o que torna a situação ainda mais triste e desesperadora. A sociedade brasileira perdeu!”, lamenta.

Cartaz de campanha da 12ª Primavera dos Museus

Mônica também nos conta que a Rede Memorial de Pernambuco, articulação que surgiu com o intuito de promover diálogos e cooperação entre instituições de missão memorial do Estado, e da qual o Memorial da Justiça de Pernambuco faz parte, promoveu uma reunião, no dia 4 de setembro, com o intuito de discutir como poderia se posicionar sobre o incêndio ocorrido no Museu Nacional. Da reunião, saiu o Manifesto pela Memória Nacional, enfatizando a falta de políticas públicas sustentáveis para as organizações memoriais, e enumerando os problemas, com o apontamento de possíveis soluções. O documento foi assinado por profissionais de 150 instituições culturais de Pernambuco, inclusive pelo Memorial da Justiça.

“Mas disso tiramos uma lição. Vamos pensar em como estão os nossos museus, para que esta tragédia não continue se repetindo. Porque, infelizmente, este não foi o primeiro caso e, se não cuidarmos, não será o último”, conclui Mônica Pádua.

Leia também: Mônica Pádua e a dedicação ao Patrimônio Cultural

Para visitar o Memorial da Justiça do TJPE:

Endereço: Avenida Alfredo Lisboa, s/n, bairro do Brum, Recife (PE). O Memorial localiza-se no prédio histórico onde funcionou a Estação Ferroviária do Brum, ao lado da entrada industrial da Fábrica Pilar.
Atendimento ao público: de segunda a sexta-feira. 
Pesquisa: das 13h às 18h.
Visitação: das 13h às 17h.

Horários especiais para grupos devem ser agendados previamente pelo telefone (81) 3181-9445 ou pelo e-mail memorial.educativo@tjpe.jus.br.

Telefone: (81) 3181-9440.

Endereço eletrônico: memojust@tjpe.jus.br.

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Texto: Redação | Ascom TJPE
Foto de Mônica Pádua: Makermídia
Cartaz: Ibram