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A vida e a fotografia de Assis Lima

Nesta edição da Revista Conecta, apresentamos entrevista realizada com o fotógrafo oficial da Assessoria de Comunicação Social do TJPE, Assis Lima. Neste ano, o profissional completou 42 anos de atuação na fotografia e 20 de dedicação ao Tribunal de Justiça. 

Confira e inspire-se nesta história de arte! 

Conecta: Quem é Assis Lima? 
Assis Lima:
Sou filho de Abílio Calixto e dona Lourdes. O meu pai era agricultor e a minha mãe costureira, no município de Mamanguape, na Paraíba. Cheguei em Recife ainda muito criança com a minha família. Sou casado com Maria Auxiliadora há 39 anos e somos pais de Leandro e Juliana, e avós de Júlia e Marina. 

Conecta: Neste ano, o Concurso de Fotografia do TJPE teve como tema “Pernambuco, minha paixão”. Que locais do Estado inspiram mais o seu olhar fotográfico?
Assis Lima: Eu me considero apaixonado por Recife, pelas suas pontes e rios. Também acho inspirador fotografar certos trechos de Igarassu, Itamaracá e Vilha Velha. Olinda, Petrolina e Trancunhaém, a terra do barro, também são cidades muito inspiradoras. 

Conecta: Relate um pouco de sua trajetória inicial na arte da fotografia.
Assis Lima:
A minha atuação na fotografia teve início no ano de 1976, quando comecei a trabalhar de contínuo na Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Na época eu tinha 20 anos de idade. Lá eu trabalhava no Departamento de Documentação, onde havia um laboratório fotográfico. O responsável pelo setor era o professor francês Narcisse Szymanowski. Comecei a conversar com  Narcisse sobre a arte fotográfica até que ele me convidou para ajudá-lo no setor e se tornou meu amigo e professor de fotografia e laboratório. 

Conecta: Quando e como você começou a fotografar profissionalmente?
Assis Lima:
Um ano depois do contato inicial com o professor Narcisse, eu comecei a fotografar Arquitetura e Arqueologia profissionalmente na Fundarpe. Também passei a fotografar casamentos, aniversários, batizados e outros eventos. Tudo isso com uma câmera analógica Nikon Fm3, emprestada do mestre Narcisse.  A minha primeira câmera era uma Minolt. 

Conecta: O que significa a fotografia para você?
Assis Lima:
Para mim, a fotografia representa tudo. A fotografia mudou a minha vida, me deu uma direção... A minha relação com a fotografia é algo forte demais. Hoje sou o que sou devido à essa arte. 

Conecta: Como você descreve o seu estilo fotográfico?
Assis Lima:
O meu estilo fotográfico é bem diversificado. Comecei fotografando patrimônio arquitetônico e arqueológico, depois eventos culturais e, há algum tempo, venho atuando no fotojornalismo. Certa vez, uma aluna me perguntou qual era a minha especialidade na fotografia, e eu respondi “sou clínico geral”. 

Conecta: Você pode citar a sua melhor lembrança como fotógrafo?
Assis Lima:
Lembro de uma fotografia que me deixou emocionado e feliz ao fazê-la. Era a foto de um caboclo de lança, num evento cultural realizado no quintal do Mestre Salustiano, na cidade Tabajara, em Olinda. Não foi uma fotografia difícil de fazer, mas o resultado final ficou muito bonito, com toda a mistura de luzes que consegui registrar. 

Conecta: Qual a importância em fazer um bom curso de fotografia?
Assis Lima:
É importante saber da técnica, conhecer a câmera, entender como controlar a luz e, o mais importante, compreender sobre a criação da imagem. 

Conecta: Que conselho você daria pra quem pensa em seguir na carreira da fotografia?
Assis Lima:
Seja um bom observador.

Conecta: Quais os fatores mais importantes para fazer uma boa foto?
Assis Lima:
Composição, iluminação e sensibilidade. 

Conecta: Você fez cursos ou seminários para aperfeiçoar a sua técnica?
Assis Lima:
Sim, eu fiz vários cursos de fotografia e participei de muitos seminários em Pernambuco e em outros Estados. Inclusive neste percurso eu fui aluno do grande fotógrafo e professor Walter Ferreira. 

Conecta: Cite alguns fotógrafos que mais te inspiram. 
Assis Lima:
Sebastião Salgado, Pierre Verger, Cartier Bresson, o célebre Evandro Teixeira, que atuou no Jornal do Brasil. Também cito Leandro Lima, e o meu mestre Narcisse. 

Conecta: Como foi a sua chegada ao TJPE? 
Assis Lima:
Cheguei à Assessoria de Comunicação Social do TJPE na gestão do desembargador Valdemir Lins, em 1997. Vim por indicação do arquiteto e professor José Luiz da Mota Menezes para fazer um trabalho fotográfico voltado para o patrimônio histórico e cultural do Judiciário pernambucano. Vim para passar seis meses e, neste ano, completo 20 anos de atuação no Tribunal. 

Conecta: Na época de sua chegada ao TJPE, de que modo acontecia o trabalho e a distribuição do material fotográfico produzido na Ascom? 
Assis Lima:
Era uma época analógica. Os filmes eram revelados na Secretaria de Imprensa de Pernambuco, depois o material era enviado para o Diário Oficial, onde a foto era impressa em preto e branco. 

Conecta: Para você, como foi a transição do trabalho analógico para o digital? 
Assis Lima:
Para mim, essa transição foi algo que aconteceu de um modo muito rápido, mas consegui me adaptar. Digo até que me adaptei rápido... A mudança foi apenas no equipamento, não mexeu com o meu conhecimento. Depois de pronta, a fotografia não é digital nem analógica – é uma fotografia.

Conecta: Com o advento da fotografia digital a produção de imagens ficou mais fácil. Há fotógrafos que em um evento chegam a fazer mais de mil imagens. Como você analisa esta situação?
Assis Lima:
A questão do fotógrafo fazer muitas fotos com a câmera digital veio da perda de uma cultura de comprar filme, algo que era oneroso antes. Hoje como não há este limite, talvez haja um desperdício de imagens. Na era da fotografia analógica o trabalho era muito mais imediato, hoje talvez a possibilidade de fazer mais imagens torne o trabalho mais lento. 

Conecta: Para você, o que é fotografia de reportagem e qual o seu papel para a justiça social?
Assis Lima:
O fotojornalismo expressa o momento e o fato. Uma fotografia de reportagem é ao mesmo tempo uma denúncia e uma informação. Nela o objetivo é a busca da verdade. 

Conecta: Qual foi a fotografia que mais te deu trabalho para registrar?
Assis Lima:
Uma foto noturna em preto e branco, feita durante a primeira edição do Festival de Inverno de Garanhuns, pela Fundarpe. O objetivo era passar a ideia do clima de inverno, mas não estava chovendo no momento. 

Conecta: Qual a sua lente favorita?
Assis Lima:
50 mm.

Conecta: Qual sua opinião sobre o uso de aplicativos e programas para retoques digitais, como o Photoshop, por exemplo?
Assis Lima:
Sou favorável, porque o photoshop faz parte da era digital, como antigamente o laboratório era o responsável pelo retoque da fotografia analógica. Programas como o photoshop são laboratórios digitais.  

Conecta: Qual a câmera que você usa atualmente?
Assis Lima:
Eu uso uma Nikon D801. 
  
Conecta: Os seus filhos também fotografam?
Assis Lima:
Sim. O meu filho, Leandro, é fotógrafo por profissão; e a minha filha, Juliana, por hobby.  

Conecta: Uma imagem pode expressar mil palavras?
Assis Lima:
Sim, sem dúvida.

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Entrevista: Micarla Xavier | Ascom TJPE
Fotos: Leandro Lima | Arquivo Pessoal de Assis Lima