Perfis e Entrevistas

Voltar

Servidor do TJPE alcança terceiro lugar em concurso nacional de literatura

No dia 29 de agosto, o oficial de justiça da Comarca de Cortês, Victor Camelo de Freitas Evangelista, foi premiado no concurso "Abrace um autor", organizado e promovido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Ele alcançou o terceiro lugar na modalidade Crônica - categoria público externo. 

Victor Evangelista é graduado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atua no TJPE há aproximadamente sete anos, e conta na entrevista abaixo um pouco de suas inspirações literárias e projetos para o futuro. 

Confira! 


Conecta - Fale um pouco sobre o concurso de literário Abrace um autor no qual você alcançou a terceira colocação. 
Victor -
O Projeto Abrace um Autor teve início em 2017 dentro do curso de Licenciatura em Letras do IFSP, contando com três modalidades – Conto, Crônica e Poesia, e duas categorias – interna, voltada aos alunos e funcionários do Instituto; e externa, destinada ao público geral. A cerimônia de premiação foi realizada no campus do IFSP, em São Paulo, durante o evento do Festival de Poesia, Improviso e Slam (Fepis), no dia 29 de agosto. Essa edição do concurso recebeu mais de 650 inscrições, oriundas de todas as regiões do Brasil e de quatro continentes (América, Ásia, Europa, África). Foram registradas participações literárias de Marrocos, Angola, Moçambique, Irlanda, Itália, Estados Unidos, Japão e Portugal.

Conecta - Você já participou de várias edições do Concurso Literário do TJPE. Qual a importância deste concurso para você e quais edições você foi premiado?
Victor -
O concurso promovido pelo TJPE foi fundamental para o meu desenvolvimento como escritor, no que diz respeito às narrativas, contos e crônicas. Sempre escrevi poesias, desde os meus 15 anos, mas foi graças ao concurso do Tribunal que eu me propus a criar uma história e contá-la da melhor maneira possível, pela primeira vez. Em 2015, fiquei em segundo lugar com o conto A escolha da carreira; em 2017, em segundo lugar com a poesia Nas ladeiras de Olinda; e, em 2018, alcancei o primeiro lugar na categoria Conto (Os piores cegos). 

Conecta - Fale sobre seu perfil no Instagram @tecontonapraca - o que motivou a criação, o que você publica.
Victor -
Costumo dizer que escrevo por necessidade, mas que, por vontade, eu publico os escritos. Quando escrevo uma história, deposito nela experiências, impressões, ou qualquer outra forma de sabedoria, codificada nas palavras. Acredito que podem ensinar ao leitor, ao menos, a como não ser. Outras histórias podem fazer rir, ou até perturbar. O importante é que algo seja despertado em quem lê. A partir daquela informação ou sensação, conforme o caso, ele vai se tornando uma pessoa diferente. É como se tivesse podido aprender com o erro do outro, ou ver como sua vida é boa, ou poderia ser boa, se agisse de determinada forma, entende? As possibilidades são infinitas. O @tecontonapraca surgiu a partir da vontade de facilitar o interesse das pessoas pela minha arte, transformando escritos em projeto audiovisual. Como tendo a compartilhar obras que já passaram por seleções, acabo estabelecendo um controle de qualidade para os espectadores. 

Conecta - O que te inspira e como é o processo de criação dos seus textos?
Victor -
A vida é a minha maior inspiração. O meu processo se desenvolve a partir de uma determinada ideia que julgo boa. Quando tenho uma boa ideia, desenvolvo a história a partir dela. Daí a narrativa vai se enriquecendo. É como um lance de dizer... “isso dá um conto!” Claro que o processo de elaboração é mais complexo, podendo se dar através da vivência, observação, ou a partir da própria imaginação. Eu gosto de escrever histórias curtas, não identificadas no tempo e no espaço, com personagens sem nome... deixa a história toda mais universal, alcançando mais pessoas. Meu processo, outras vezes, acontece da seguinte forma: sento diante do computador e despejo sentimentos ou descrevo situações. A partir daí, aproveitando a intensidade da matéria prima, enriqueço o que produzi e monto uma história.

Conecta - Quais são seus escritores e livros favoritos?
Victor -
Durante vários anos, minhas guerras profissionais me distanciaram da leitura recreativa, de forma que só consumi produções técnicas, relativas ao Direito. Nas poesias, ainda sofri a influências dos repentistas Os Nonatos e do poeta Augusto dos Anjos. Mas, nas narrativas, não seria capaz de apontar nomes que sejam referências específicas para mim. Tenho buscado a literatura clássica para corrigir o desvio decorrente da rotina.

Conecta - Quando começou a paixão pela poesia e pelos contos?
Victor -
O ímpeto de escrever veio aos 15 anos. Quanto às narrativas, como disse, a partir do concurso literário do Tribunal, em 2015.

Conecta - Se tiver que escolher: você prefere poesia ou conto e por quê?
Victor -
Com certeza, acabei tomando mais gosto pelos contos! Os poemas são mais limitados no que tange à forma, ao tamanho, rimas... às vezes, você pode escrever uma poesia que julga fantástica, mas há uma carga subjetiva muito maior na interpretação. Muitas pessoas não vão alcançar, ou é você quem não vai se fazer alcançar. Elas vão entender de outra forma, e isso não é um problema, apenas uma decorrência do grau de abstração. Estou mais focado em me fazer compreender.

Conecta - Como você concilia a sua atuação no TJPE com as atividades literárias? O dia a dia do oficial de justiça influencia na sua arte?
Victor -
Eu tenho produzido bastante, atualmente estou inscrito em dez concursos literários. O cargo de oficial de justiça não me atrapalha em absolutamente nada. De outra banda, certamente, o contato com as pessoas e suas crises acaba provocando um amadurecimento maior, de forma que a profissão acaba contribuindo, no mínimo, indiretamente. 

Conecta - Conte-nos um pouco sobre a sua crônica DR de juristas, inscrita e premiada no certame "Abrace um autor". 
Victor -
Quem nunca teve uma DR, não é? As crônicas abordam temas do cotidiano e essa nasceu quase pronta, em meio a algumas cervejas, no lobby de um hotel em São Paulo. Eu nunca havia escrito nada do gênero e me inspirei em experiências pessoais - não necessariamente referentes ao tema discutido pelo casal no texto. Quis dar uma roupagem mais universal, abordando uma situação que vejo se repetir, para que mais pessoas se identificassem. Num primeiro momento, quem lê pensa que vai cair no estereótipo da mulher ser menos racional e mais ciumenta do que o homem. Mais adiante, todavia, denuncio a incoerência do ser humano de um modo geral. Aponto, ainda, que, quando determinada situação acontece com os outros, somos verdadeiros peritos no assunto. Já quando a coisa se dá conosco, muitas vezes, a sabedoria acaba. Eu posso disponibilizar a crônica ao público do TJPE depois que esta for publicada pela organização do concurso. Será um prazer!

Conecta - Quais são seus próximos projetos e o que espera para o futuro?
Victor -
Meu projeto é publicar uma coletânea de contos e crônicas que tenham sido exitosas em concursos literários. Quanto ao perfil do Instagram, posso dizer que é uma ferramenta fundamental na era digital, para divulgar meu trabalho. Não sei em que irá se transformar, mas, por essa razão, foi criado.

..................................................
Entrevista: Priscilla Marques | Ascom TJPE
Foto: Arquivo Pessoal