Perfis e Entrevistas

Voltar

Silas, a voz forte que ecoa no rádio e no TJPE

Nesta edição da Revista Conecta, contamos um pouco da vida e da trajetória profissional do cerimonialista do TJPE, Silas da Costa e Silva. E também sobre a sua atuação no rádio e a relação com a arte musical.

Leia e se inspire com a história de um dos maiores comunicadores pernambucanos! 



“Por meio da voz, o ser humano é capaz de expressar seus sentimentos de tal maneira que pode se desfazer de uma série de más sensações." Assim o cerimonialista do TJPE, Silas da Costa e Silva, evidencia o seu amor à fala, à música e à vida. 

Na infância, Silas já apreciava as vozes do rádio, principalmente as narrações de Ramos Calella, Oliveira Neto, Cid Moreira e Raimundo Lima Verde. Essa admiração o levava a ler textos em voz alta pela sua casa. Os pais, o casal Francisco Xavier da Costa e Silva e Iracema Garcia, e seus irmãos, ouviam-no com atenção e sempre afirmavam que Silas deveria ir trabalhar no rádio. “Eu gostava de ouvir os grandes locutores e tentava imitar. E acreditei nas palavras de apoio da minha família, até que aconteceu. É uma paixão!”, ele conta.

A história da família de Silas tem início em Fortaleza (CE). Mas, em 1950, o pai, Francisco Xavier, que exercia a função de delegado da Receita Federal, foi transferido da capital cearense para Pernambuco, e mudou com a esposa e os filhos para Garanhuns. Em 1951, já em Caruaru, nasceu o filho caçula, Silas. No percurso familiar, uma dor: a morte de dona Iracema. “Eu permaneci em Caruaru até 1954, ano em que retornei com a minha família para Fortaleza. Quando minha mãe faleceu, eu tinha 12 anos e, algum tempo depois, o meu pai se casou com uma pernambucana também chamada Iracema e com ela teve mais dois filhos. Ao todo, somos cinco irmãos e cinco irmãs”, lembra. 

 

Silas chega ao rádio

Ao morar em Belo Jardim, em 1965, Silas costumava visitar a Rádio Bitury só para ver de perto os locutores. Devido à essa curiosidade, aos 15 anos de idade, ele foi convidado a fazer um teste no local e começou a ajudar na locução de alguns programas musicais. “Nós morávamos em frente a Rádio Bitury. A minha curiosidade aumentou, quando passei a frequentar o lugar com o intuito de ser operador de áudio. Os equipamentos, toca-discos, gravadores, tudo me fascinava. Até que me chamaram para algumas pontas em programas ao vivo. Eu senti muito nervosismo no começo, mas depois fiquei íntimo do microfone”, lembra. 

Quando chegou em Recife, em 1970, Silas gostava de ouvir a Rádio Universitária AM e a Rádio Clube. Dois locutores o fascinavam: Adelmo Cunha e Rosa Maria. Na época, ele já gostava de gravar seleções musicais em fitas cassete, até que um dia, sem hesitar, decidiu fazer um teste para a TV Rádio Clube - Canal 6, no qual foi aprovado, começando a atuar com os anúncios dos comerciais entre os programas. 

Em 1972, Silas fez um teste para locutor da Rádio Universitária AM e foi contratado. Em 1980, quando foi inaugurada a Rádio Universitária FM, foi transferido para o Núcleo de TV e Rádio, onde atuou por um certo tempo apresentando o Jornal da TV. “Mas o rádio sempre me fascinou e a dedicação foi de coração”, afirma.

Silas da Costa e Silva cursou bacharelado em Comunicação Social na Fundação Centro de Educação Comunitária e Social do Nordeste (Cecosne). A experiência possibilitou várias especializações, e as suas escolhas foram por Rádio e TV, Publicidade e Propaganda, Fotografia e Cinema e Teatro. O curso foi concluído em 1977, ano em que foi reconhecido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Recém-graduado, Silas também começou a trabalhar narrando os audiovisuais do Governo do Estado, produzidos pelo Departamento de Recursos Tecnológicos para a Educação. 

“A maratona era intensa. Durante o dia na Rádio e à noite na faculdade. Comecei na Rádio Universitária apresentando programas produzidos pelos radialistas Vera Hazin, Ivan Soares, Hugo Martins, Miriam Leite e Carlos Benevides. Eram programas bem variados de música e informação. Uma boa lembrança que tenho são a dos colegas locutores que me orientavam e davam todo apoio no início de minha carreira, como Aldemar Paiva, Albuquerque Pereira, Adelmo Cunha, Cícero Moraes e Antônio Fernandes”, lembra.

 

A voz do Almoço musical

No dia 15 de outubro de 2019, a Rádio Universitária completou 40 anos no ar. Ao longo dessas quatro décadas de celebração da música, Silas vem atuando como radialista há 37 anos. Primeiro, ele produziu o programa semanal "Uma orquestra em foco", no qual destacava as grandes orquestras internacionais e contava a história de cada uma delas. Com o passar do tempo, surgiu o programa "Almoço musical", produzido por José Maria Cavalcanti. No início do programa, José Maria selecionava os LPs e Silas anunciava cada orquestra. 

Com o tempo, Silas se interessou tanto pelo programa, que um dia assumiu a produção fazendo a sua própria seleção, conforme o seu gosto musical. “A música instrumental era a minha paixão. Eu comprava muitos LPs e depois muitos CDs. Montei uma verdadeira discoteca em casa. Levava tudo para a Rádio e gravava todos, até que assumi a produção do programa. Os ouvintes ficavam entusiasmados, e eu, mais ainda”, recorda.

Para Silas, nunca foi difícil produzir o "Almoço Musical". Embora o programa tivesse a duração de duas horas diárias, ele procurava selecionar as orquestras mais famosas e sempre fazendo alusão a uma data especial ou a um lançamento novo.

Durante muitos anos, Silas também apresentou o programa "Recital de Música Erudita", inicialmente produzido por Vera Hazin. Depois, mais uma vez, assumiu a produção do programa, que era levado ao ar diariamente das 21h às 23h. Na era do disco vinil, tudo era mais complicado, pois dependia do estado de conservação do LP: “Quando o Concerto era mais longo, eu saia da cabine de locução para ir ao banheiro ou fazer um lanche ou até mesmo dar uma cochilada. Quando menos esperava, o disco pulava ou ficava enganchado, até que um ouvinte ligava desesperado reclamando. Era um vexame”.

A admiração pelas palavras bem escritas - O programa que Silas mais gostou de apresentar foi o "Sétima Arte", sobre os mais variados temas do Cinema. O programa era produzido por Ivan Soares. Silas conta que dava gosto ler o script, por ser impecável, sem rasuras e com uma redação primorosa. Outro texto que Silas faz questão de destacar era a crônica "Café da Manhã", de Luiz Maranhão Filho, pela excelente redação e temas tratados, e pelo texto sem um erro sequer. 

Hoje, Silas da Costa e Silva já está aposentado da Rádio Universitária e dedica a sua atuação exclusivamente ao Cerimonial.

O cerimonial 

A primeira atuação de Silas como cerimonialista aconteceu em 1979, quando foi convidado para ser mestre de cerimônia em um seminário que seria presidido pelo então novo governador do Estado, Marco Maciel. “Foi uma experiência nova. Enfrentar uma grande plateia era um desafio, mas fui em frente e procurei fazer o melhor, pois sempre tive como princípio fazer tudo com amor e dedicação. Qual não foi minha surpresa, quando, no final da solenidade, recebi um aperto de mão do governador, dizendo: ‘Parabéns pela sua atuação’. Fui para casa feliz e orgulhoso”, recorda.

A alegria não ficou somente ali. No dia seguinte, Silas recebeu uma ligação do Palácio do Governo. Ao telefone, estava a secretária da Casa Civil Margarida Cantarelli, dizendo que o governador o convocava para ser o mestre de cerimônia de mais uma solenidade. A partir de então, Silas foi convidado a ser o “locutor oficial” do Governo, atividade que surgiu de modo inusitado, mas que foi tomando vulto e tornando-se uma necessidade em cada cerimônia.  

Reconhecimento - No cenário do cerimonial público, o nosso perfilado faz questão de reconhecer a importância de alguém muito especial: Emílio Schuler, chefe de cerimonial do Governo de Pernambuco a partir de 1982. “Do mestre, surgiu o amigo leal; do exemplo, a companhia necessária, perfeita, ideal.  Desde aquela data, cumpri a função em mais quatro governos subsequentes”, afirma.   

Importância do cerimonial nas instituições

O cerimonial é um conjunto de normas estabelecidas com a finalidade de ordenar corretamente o desenvolvimento de qualquer ato solene ou comemoração pública que necessite de formalização. “Conhece-se uma instituição pela forma como são organizados e conduzidos os eventos, como as visitas são recebidas e pelos modelos e bom gosto dos convites que são emitidos”, avalia o cerimonialista do TJPE.

Silas ressalta com satisfação que a atividade também o proporcionou grandes oportunidades de conhecer de perto, e anunciar em cerimônias, muitas personalidades que admira, como Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Luiz Gonzaga, Dom Helder Câmara e muitos outros.

A chegada ao TJPE

Em 1998, Silas da Costa e Silva chegou ao TJPE, na gestão do desembargador Waldemir Lins. A experiência durou apenas três meses, até porque, logo após, ele foi convidado a assumir o cerimonial do TRF5, onde atuou por oito anos.

A volta ao TJPE aconteceu em 2005, a convite do desembargador Macedo Malta. Silas permanece desenvolvendo seu trabalho à frente do Cerimonial do Poder Judiciário até hoje: “É uma experiência maravilhosa pela oportunidade de poder servir melhor o Judiciário e se dedicar a cada evento. Além do mais, é enriquecedor conviver com 52 desembargadores num clima de grande harmonia e admiração recíproca”. 

A Assessoria do Cerimonial do TJPE é composta por oito servidores que dividem as tarefas na execução da tarefa diária de planejar, coordenar e executar as solenidades programadas pelo Judiciário estadual, sob a orientação e determinação do desembargador presidente.

Vida, família, música 

Silas com as filhas Shirley, Vívian e Patrícia

Silas da Costa e Silva é casado com Violeta Soriano. O casal tem três filhas - Shirley, Vívian e Patrícia; e são avós de Gabriela, Vinicius e Sérgio. “Este ano, completamos 47 anos de casados. É uma linda família que Deus me deu e somos mantidos pela sua excelsa graça”, afirma. 

Sobre a música em sua vida, para Silas, a arte musical tem que ter som agradável, suave ou ritmado, mas com uma linha melódica racional; e se for cantada tem que ter poesia: “Gosto da música erudita, principalmente dos clássicos ligeiros. Também aprecio músicas populares nacionais, internacionais instrumentadas e a música romântica interpretada por cantores famosos”.  

No âmbito internacional, ele aprecia Nat King Cole, Frank Sinatra, Andy Williams, Johnny Mathis, Barbra Streisand, Celine Dion, e Sarah Brightman. E entre os nacionais, gosta de ouvir Caetano Veloso, Roberto Carlos, Djavan, Emílio Santiago, Jane Duboc e Marisa Monte. Quanto aos compositores, destaca Andrew Lloyd Webber e as composições dos Beatles.

..........................................................................................................
Texto: Micarla Xavier | Ascom TJPE
Foto 1: Assis Lima | Ascom TJPE
Fotos 2, 3 e 5: Arquivo pessoal
Foto 4: Gleber Nova | Esmape TJPE