Perfis e Entrevistas

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Suzana Guimarães apresenta livro em Portugal e fala da inspiração que vem da literatura

No dia 14 de janeiro, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa promoveu evento literário no qual a servidora do TJPE Suzana Guimarães Farias apresentou o seu livro "A Janela". Suzana, que é servidora do Judiciário estadual há 16 anos, atua na 1ª Vara da Infância e Juventude da Capital. 

A Revista Conecta traz, nesta edição, uma entrevista em que Suzana fala sobre a inspiração e os caminhos que a levaram para a arte da escrita. Fala também sobre outros livros publicados, escritores preferidos, bem como a satisfação sentida ao ter textos premiados pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Confira e inspire-se! 

 

Conecta: Quem/Qual foi a sua grande inspiração na arte da leitura e escrita? De que modo aconteceu o seu contato com os livros e letras?

Suzana: Eu conheci o universo literário através de meu pai, Francisco Guimarães. Lembro-me de muitas vezes acordar à noite e encontrá-lo lendo Eça de Queiroz, Machado de Assis e outros autores nacionais e estrangeiros. O prazer com que o meu pai lia os livros me contagiava. Então, passei a interessar-me por esse universo imenso e desconhecido.

 

Conecta: Você participou de alguma edição do Concurso Literário do TJPE. O que você acha do certame cultural do Judiciário pernambucano?

Suzana: Participei, sim. Toda ação que promove a cultura é bem-vinda. Ações desse tipo, ao mesmo tempo que apresentam novos talentos, podem, também, estimular outros à descoberta da sua vocação.

 

Conecta: Fale um pouco dos poemas "Poesia em preto e branco" e de "As rosas não nascem só na primavera". 

Suzana: Essas poesias foram escritas quando eu estava no Departamento de Matemática. São poesias que abrangem temas bem distintos entre si e falam por si mesmas.

Poesia em preto e branco 

Farei uma poesia
triste, calada e surda
como surdos são os teus ouvidos,
tristes os meus olhos e 
muda a tua voz...

Tentarei te transmitir
uma poesia enraivecida,
indiferente e angustiante...

E o quanto indiferente ela pode ser 
aos teus ouvidos,
mesmo que fale de angustiantes distâncias
e de almas enraivecidas!

Queria te fazer uma poesia colorida
com todas as cores
que me transmitiam o teu olhar...

Mas, agora, é impossível!
Só olhas, falas e gesticulas
em preto e branco...
Em preto e branco...


As rosas não nascem só na primavera... 

As rosas não nascem só na primavera,
elas desabrocham em todas as estações,
porém os homens, míopes de alma,
não enxergam as rosas

Mas elas não precisam dos olhos dos homens,
e andam a desabrochar nas praças,
nos quintais...

As rosas não precisam dos olhos dos homens.
Os homens é que precisam ver as rosas...

 

Conecta: Suzana, e com toda essa sua inspiração para a escrita, o que te levou à graduação em Matemática? Como foi a experiência?

Suzana: Na verdade, eu não creio que a nossa mente é compartimentada. Podemos fazer diversas coisas que, aparentemente, não têm conexão entre si. O aprendizado de uma ciência é sempre edificante, pois nos convida a compreender melhor o mundo onde vivemos. O grande poeta pernambucano Joaquim Cardozo foi da área das Ciências Exatas também.   

 

Conecta: Conte-nos um pouco sobre a sua participação no evento literário promovido pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Suzana: Quando o reitor da Universidade de Lisboa, António Serra, esteve no Brasil, a minha irmã, Maria Eugênia Guimarães, que atua como secretária executiva da Câmara de Comércio Brasil-Portugal Centro Oeste, o conheceu. Num momento posterior, eu e o diretor do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da daquela instituição de ensino (Clepul), professor Ernesto Rodrigues, fizemos contato e assim surgiu a possibilidade da apresentação do A Janela naquela universidade. 

O meu sentimento, durante a apresentação do livro, foi de grande emoção, por várias razões. Como falei, o meu contato com a Literatura Portuguesa já vem da tenra infância, quando eu via meu pai lendo os escritores e poetas portugueses - e, depois, eu mesma os li. Minha ligação com Portugal é uma ligação profunda com emoções intensas através da Literatura.

A Literatura Portuguesa é riquíssima. Posso citar Eça de Queiroz, Padre Manuel Bernardes, Padre António Vieira, Saramago, Ramalho Ortigão, Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões, Florbela Espanca...

 

Conecta: Qual o título do seu livro escrito em língua espanhola e em homenagem a Cervantes? 

Suzana: O título do livro é "Espejos". Escrevi esse livro como autodidata. Depois, ao me matricular no Instituto Cervantes, participei da Tertúlia Literária e apresentei o referido livro, em 2014. Recebi certificados de agradecimento e congratulações do Governo Espanhol pela apresentação. O livro é composto de textos, poemas e uma novela em homenagem a Cervantes. 

Aquellos libros 

Miro las páginas de los libros. 
Oigo voces que viven allá 
y, acá, fueron silenciadas...
Conozco sueños
que nunca he soñado 
y pensamientos de otras épocas...
¡Jamás he imaginado tocarlos!
Yo sé... Mi voz, 
como las otras,
cualquier día,
abrigará el silencio.
Y, entonces, aquellos libros
guardarán en sus interiores 
no una voz, sino un grito,
no un pensamiento, sino una vida...
Vida adormecida por el tiempo.

 

Conecta: Quais são seus escritores e livros preferidos?

Suzana: Tenho vários livros e escritores preferidos: a Bíblia; Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke; Contos e notas contemporâneas, de Eça de Queiroz; Novelas ejemplares, de Cervantes; toda a obra de Machado de Assis; Os sertões, de Euclides da Cunha; e a poesia de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardozo, Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa, Cecília Meireles...

 

Conecta: Descreva em algumas linhas sobre os livros Natureza Sem Fim e A Janela. 

Suzana: O livro "Natureza Sem Fim", assim como "A Janela", é constituído de pequenos poemas em prosa. Abordo temas intrínsecos à natureza humana como a solidão, o amor, a dor... O cenário é o cotidiano numa dimensão exterior ou interior. Mário Hélio, poeta e crítico literário, escreveu o prefácio de ambos os livros.

Eis um trecho do prefácio do Natureza Sem Fim:

"... Pequenas histórias sem rima nem esforços de mecanismos poemáticos, mas profundamente tomados de poesia intrínseca do cotidiano traz este livro." 

E sobre o livro A Janela:

"Aloysius Bertrand foi um dos primeiros a se exprimir assim nessa forma tão flexível quanto, assumindo o jeito de cada autor. O de Suzana Guimarães é o de certos cânticos que pouco exigem de acompanhamento instrumental, e nem carecem tanto de melodia para falarem à alma. Numa liturgia muito sua, feita de suaves emanações e modulações."


Conecta: Que livro você está lendo no momento?

Suzana: O Homem Eterno, de G. K. Chesterton.


Conecta: Como é Suzana Guimarães Farias escritora? E como é Suzana Guimarães Farias servidora do TJPE? Qual é o seu papel no mundo?

Suzana: Na verdade, não existe essa divisão da Suzana Guimarães Farias escritora e servidora do TJPE. Com o mesmo afinco e zelo que escrevo os meus livros, exerço as minhas atividades no Tribunal de Justiça. Sobre qual o meu papel no mundo, respondo com um pensamento do grande filósofo Sócrates: "Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo."


Conecta: Que conselho você daria para a prática e alcance de uma boa escrita?

Suzana: Para a prática e alcance de uma boa escrita é necessário um longo tempo de leitura.

 

A escritora Suzana possui diversos textos premiados pela (ABL): A vida da palavra (2003), A palavra na era da imagem (2005), A importância do livro no Brasil do século XXI (2006) e A importância de Machado de Assis um século depois de sua morte (2008). Esse último concorreu com mais de 37 mil redações em todo o Brasil e, com esse texto, a escritora foi a única recifense premiada.

Clique AQUI para conferir! 

Magistrados e servidores interessados em adquirir o livro "A Janela" (no formato impresso) podem enviar mensagem de WhatsApp para (81) 9 9911-9812. Para quem quiser ler no formato o link, o ebook está disponível no site da Amazon.  

Veja também vídeo de apresentação do livro A Janela na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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Entrevista: Micarla Xavier | Ascom TJPE
Fotos e Artes: Divulgação